Qual foi a última grande revolução que atingiu os 'desktops' em escritórios, desde pequenas a grandes empresas? Nos últimos anos, a dupla Windows + Office atingiu um status de onipresença praticamente absoluta. No entanto, se observarmos bem, desde o Office 97 (lançado há oito anos atrás!), muito pouca coisa mudou. As principais diferenças são cosméticas, sendo que a funcionalidade principal de cada parte do pacote continua sendo basicamente a mesma.
Há bons motivos para acreditar que grandes mudanças estão por vir. Nos dois últimos anos, novas aplicações Web começaram a aparecer. De um ano para cá, o movimento se acelerou. O Google Labs produziu diversas novidades, cada uma revolucionária a seu modo: GMail, Google Suggest, Google Maps, entre tantos outros. Cada vez mais, fica evidente que é possível oferecer uma interface rica para aplicações através de um browser.
O fato de uma aplicação ser baseada em um browser tem uma implicação importantíssima: ela se torna naturalmente integrada em rede, o que torna possível um grau de interação e mobilidade que não é possível com arquiteturas de desktop tradicionais. A Microsoft percebeu isso tarde demais; em um primeiro momento, ela tentou evitar o inevitável, suspendendo o desenvolvimento da sua plataforma Web (é por isso que o IE6 parou no tempo). Recentemente, ela retomou o caminho, quando ferramentas como o Firefox começaram a recuperar espaço no mercado.
No entanto, as aplicações Web ainda tem um ponto fraco: elas são incomparavelmente menos poderosas e convenientes do que as ferramentas de produtividade tradicionais para determinadas atividades. Por exemplo, há pacotes de CRM totalmente baseados em Web, como o SugarCRM e o vtiger; no entanto, funções como editar uma carta ou uma planilha de preços ainda dependem da integração com as ferramentas do Office.
A abordagem de código livre para este problema é bastante pragmática: usando componentes abertos, é possível compor uma solução mista, integrando as funções de workflow. No entanto, o resultado ainda depende de muita integração manual.
A seu turno, a Microsoft está mirando nesta como a grande oportunidade para diferenciar as versões futuras do Office e do Longhorn. O Office 12 está sendo desenhado para incorporar funcionalidades avançadas de controle de documentação dentro de empresas. Isto vai muito além do workflow tradicional, e envolve uma integração com aspectos de segurança e arquivamento que estão se tornando uma necessidade legal em vários países. A possibilidade de rastrear um documento, verificar mudanças, ou limitar o que é possível dentro de um documento aberto são funcionalidades totalmente novas, e que abrem um horizonte muito amplo para o uso empresarial.
Na minha opinião, acho que as mudanças que vamos ver nos próximos dois anos serão muito mais do que incrementais; serão mudanças revolucionárias, de impacto tão grande como a introdução do Windows ou da Internet dentro das empresas. Serão novas oportunidades para os players estabelecidos e também para os entrantes no mercado. Será, eventualmente, a prova de fogo entre os proponentes de soluções abertas -- que naturalmente oferecem mais flexibilidade em um ambiente de rede -- e os proponentes de soluções tradicionais, principalmente a Microsoft, que podem oferecer um pacote mais restrito, porém melhor integrado.
Finalmente, uma observação importante: o salto de produtividade e qualidade que estas novas ferramentas darão a pequenas e médias empresas terá, sem dúvida, um impacto considerável sobre o mercado como um todo. As grandes empresas já dispõe de ferramentas automatizadas de workflow, que de uma forma ou de outra lhes dão uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes. No entanto, a disponibilidade destes recursos em plataformas mais populares -- seja via Windows, seja via plataformas abertas -- vai tornar possível a adoção destas mesmas técnicas por empresas menores. O resultado deste impacto é difícil de prever, mas eu acredito que será efetivamente revolucionário, ainda que em um prazo um pouco mais amplo.
31 de maio de 2005
A grande revolução do desktop está por vir
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Defendendo idéias ruins com argumentos inteligentes
Esta é uma situação comum em qualquer ambiente: pessoas reconhecidas pela sua inteligência defendem, muitas vezes com insistência, posições absolutamente esdrúxulas. Em muitos casos, a defesa da idéia se torna um fim em si mesmo. Recebi hoje um artigo interessante sobre o tema: por quê pessoas inteligentes defendem idéias ruins. A explicação rápida diz que isso ocorre simplesmente porque elas acham muitas vezes mais importante ganhar o debate do que qualquer outra coisa. Obviamente, as coisas não são tão simples; diversos fatores interferem, e podem tornar o processo extremamente complexo e difícil de lidar.
A chave do processo é o uso da lógica como instrumento de poder; uma pessoa inteligente muitas vezes usa seus recursos de argumentação para vencer uma discussão. Neste processo, a validade das idéias em jogo deixa de ser importante; o que interessa é ganhar a discussão, e assim, provar quem está certo.
É inevitável a comparação entre sabedoria e inteligência. A civilização ocidental foca na inteligência -- a capacidade de pensar -- enquanto a oriental foca na sabedoria, que pode ser entendida como saber sobre o quê pensar. A 'inteligência' sem direção é inútil, pois a argumentação se torna um fim em si mesma. Também é importante saber adotar a perspectiva correta; novamente, a sabedoria é o guia, evitando o foco em critérios que na prática são irrelevantes, ou até mesmo incorretos.
É difícil para mim não me colocar nos exemplos dados; muitas vezes, me peguei defendendo posições ruins apenas pelo orgulho de defendê-las (algumas vezes com sucesso, outras não). Interromper o processo não é fácil, porque pressupõe o desenvolvimento de uma capacidade de auto crítica que muitas vezes não é encorajada, particularmente em crianças que se destacam. Em retrospecto, isso é muito fácil de entender, mesmo que no dia a dia seja difícil de evitar.
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20 de maio de 2005
A tecnologia sempre vence
Pouco depois de postar minha nota anterior (sobre desobediência civil e propriedade intelectual) vi este artigo, que me lembrou outro ponto importante: a tecnologia sempre vence. A frase pode parecer tecnicista em excesso, ou um pouco ingênuo em termos políticos. Mas na minha opinião, há trÊs coisas totalmente impossíveis de serem paradas: o crescimento do conhecimento humano, as leis da economia, e o desejo da independência humana. A 'lei de Groove' -- se é que o nome vai pegar, como o ex-CEO da Intel quer - é pouco mais do que a realização do fato de que a tecnologia apenas segue as leis do conhecimento crescente e as leis da economia, sendo portanto impossível de deter.
O que isso tem a ver com P2P? Simples. A tecnologia está transformando o modelo tradicional. O conceito de propriedade intelectual, por si só, tem validade, mas os mecanismos específicos que foram construídos para garanti-la não fazem sentido com a tecnologia atual. Assim, somando a lei de Groove ao desejo inato de independência de todo ser humano, temos uma realidade inescapável: a estrutura atual de controle de propriedade intelectual é insustentável. Ou em outras palavras, um novo modelo não é questão de 'se', mas de 'quando'.
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Desobediência civil & propriedade intelectual
O que é desobediência civil? Em resumo, e correndo o risco de hipersimplificar o assunto, é o ato de desobedecer conscientemente a lei, com o intuito de agir de acordo com a própria consciência. O termo foi cunhado pelo filósofo americano Henry Thoreau, em um livro com o mesmo nome. De apenas 13 páginas, é um manifesto importante, ainda que pouco conhecido (e ainda menos compreendido).
O conceito de desobediência civil foi a base para alguns dos eventos definitivos do século XX, como a luta de Gandhi pela libertação da Índia e a luta, anos mais tarde, de Martin Luther King Jr. pelos direitos humanos nos EUA. Mas o que um conceito filosófico tão nobre veio fazer aqui, neste espaço de rascunhos rotos?
Tudo começou com uma conversa, semanas atrás, com um grande amigo meu, cuja identidade não vem ao caso agora. Falávamos sobre direitos autorais e pirataria, redes P2P, etc. Ele me disse que já havia brincado com software P2P antes, mas que não utilizava mais, por um motivo simples: é contra a lei, portanto é errado, e ninguém deve violar a lei, certo?
Do ponto de vista estritamente ético, o argumento parece imbatível. Afinal de contas, se há uma lei, quem viola a lei está indo contra a própria sociedade; e portanto, o seu comportamento merece ser repreendido, por menos gente que seja prejudicada por ele. Assim, o fato de que o 'roubo' de conteúdo digital não implica na indisponibilidade dos bens para seu legítimo dono não é uma atenuante razoável; roubo é roubo, simplesmente.
Alguma coisa me incomodou no argumento. Acho, sinceramente, que há situações em que o uso de material obtido em redes P2P é perfeitamente aceitável. Curiosamente países inteiros foram construídos sob as bases do oportunismo da tão falada 'economia de mercado', com pouco ou nenhum respeito pela propriedade intelectual de outros (adivinhe qual o país). Hoje, a China segue um caminho similar. Porém, se aplicarmos o argumento ético, vemos que ele falha neste caso. Por isso, fiquei um tempo sem conseguir articular uma defesa daquilo que no fundo, para mim, parecia plenamente defensável.
Com o passar dos dias, percebi que eu estava analisando o problema sob o aspecto errado. Violar uma lei é um ato eticamente condenável. Mas e se a lei não for justa, ou melhor, se ela não refletir corretamente os desejos da maioria? Esse é outro caminho. Neste sentido, a desobediência civil surge como um conceito essencial. Mas é importante diferenciar a 'desobediência civil' da traquinagem pura e simples. Trata-se não de uma atitude oportunista, ou interesseira, de quem deseja se apropriar de material alheio. Trata-se de uma postura ética, consciente, e disposta a assumir as consequências, daqueles que não concordam com as regras estabelecidas, por entender que elas não representam o melhor interesse da sociedade. Grandes transformações sociais por vezes acontecem assim -- através do exemplo, e não sem sofrimento. No caso, trata-se de marcar uma posição: o fluxo conhecimento deveria ser regulamentado para o benefício de todos, e não apenas em nome do poder econômico estabelecido. E acima de tudo, o direito das pessoas, como consumidoras de informação, deve ser respeitado. É preciso restaurar o equilíbrio, permitindo às pessoas o acesso e o uso da informação, em condições não restritivas.
Este artigo foi inspirado por uma matéria que li hoje: Lecturer censored in Spanish University (UPV) for defending P2P networks. Não tenho como julgar o mérito neste caso, ainda mais depois de ouvir apenas um lado da questão. Mas nitidamente, o chamado da 'desobediência civil' parece ser o único instrumento que pode ser utilizado neste caso. Infelizmente, ainda nos falta (coletivamente) a coragem necessária para executá-la.
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15 de maio de 2005
Compartilhamento de acesso banda larga
Estou experimentando um pouco com o compartilhamento de acesso banda larga em condomínios. Não, meu objetivo não é piratear sinal alheio, mas simplesmente tentar obter uma solução tecnicamente viável, que possa ser oferecida como um serviço competitivo. O problema é o seguinte: dentro de um condomínio, o compartilhamento simples em uma rede LAN implica em problemas sérios de segurança e privacidade. Para implementar um acesso com uma proteção mínima, é preciso segmentar a rede em nível 3, o que encarece a solução.
Já pensei em algumas alternativas para tratar o problema, todas elas inviáveis economicamente. Usar um switch de camada 3 exige um investimento de alguns milhares de reais -- isso, fora o fato de que o switch L3 não é capaz de fechar a conexão PPPoE que é entregue pelo provedor. Um computador antigo, com algumas interfaces de rede, pode ser usado para grupos de três ou quatro pessoas, mas não possui uma escalabilidade boa. Também vi um equipamento interessante, da SonicWall -- um misto de switch e firewall. Novamente, o custo é proibitivo, mas pelo menos todos os recursos necessários estão disponíveis.
Por enquanto, o que eu posso fazer é testar algumas soluções com um servidor Linux e placas de rede separadas. A solução funciona, mas a administração exige cuidados, e a escalabilidade não é boa o suficiente. Mas acho que é uma tentativa válida para aprender a dominar os problemas típicos deste ambiente.
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14 de maio de 2005
Cidadania e indignação
Várias vezes, pensei em criar um blog com o título "Indignação". Seria uma forma de extravasar meu sentimento quando vejo coisas que me reviram o estômago. Hoje, tive vontade de fazer isso de novo, e na falta de um lugar específico, fica este post aqui mesmo.
Li uma matéria sobre o recordista de velocidade pego pelos radares de SP. É inacreditável, mas o autor da façanha -- 189 km/h! ainda conta bravata. É um estudante, jovem, bem de vida, e provavelmente sem muito compromisso com a sociedade. Não sei que tipo de educação teve -- se por acaso sempre teve alguém para encobrir seus 'mal-feitos', ou se ele é assim porque é mesmo. Tanto faz. Será que dá para admitir que alguém continue pensando que pode fazer o que quer? E os riscos, para si e para os outros?
O Brasil foi formado com uma mentalidade colonialista. Em geral, achamos que é normal que os ricos possam fazer o que bem desejam; afinal, este é o desejo íntimo de todos os que advogam diariamente a Lei de Gérson. Acho que nosso país ainda não evoluiu o suficiente para acabar com esta mancha, mas sinceramente, espero que o nosso piloto das madrugadas seja devidamente ensinado que o respeito a sociedade deveria vir em primeiro lugar.
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9 de maio de 2005
Um pouco de Linus, 'o chefe'
Há alguns meses atrás, a revista Business Week incluiu Linus Torvalds na sua lista dos dez melhores administradores do ano. O motivo da inclusão é simples. Apesar de não ser um 'manager' no sentido tradicional da palavra, Linus é sem dúvida um líder nato, com um instindo fascinante para tomar a decisão correta, mesmo que isto não pareça óbvio a princípio.
Recentemente, o mesmo Linus se envolveu em uma discussão feia com outros desenvolvedores notórios, particularmente com Andrew Tridgell, o principal responsável pelo Samba. Na verdade, foi apenas o desfecho de uma história de anos, desde que o Linus optou por usar uma ferramenta fechada -- o BitKeeper, um sistema distribuído de controle de código-fonte que é apontado pelo próprio Linus como uma das razões para o impressionante aumento de produtividade da equipe central do Linux nos últimos três anos. O BitKeeper, segundo o Linus, oferecia o que nenhum outro sistema aberto poderia oferecer na época: um ambiente altamente produtivo para um projeto do porte do kernel do Linux. Pragmático como sempre, em 2001 ele (Linus) tomou a decisão de adotar o BitKeeper. Foi uma decisão complicad, que nunca agradou totalmente a muita gente. Porém, como bom líder, ele se impôs naturalmente, e o que muitos temiam -- uma divisão, ou 'fork', do sistema -- não aconteceu.
No entanto, a bomba relógio estava lá. E foi o Andrew Tridgell que a detonou. A licença do BitKeeper para uso com o Linux permitia certos tipos de uso livre, mas a licença era leonina. Para complicar, os formatos internos do sistema eram fechados. Tridgell tem uma experiência fenomenal com engenharia reversa; afinal, é ele o principal responsável pelo mesmo processo no Samba. Usando seu arsenal de técnicas, ele iniciou um processo de análise do BitKeeper. O autor do BitKeeper, Larry McVoy, não gostou nem um pouco. Em poucas semanas, o problema se tornou inadministrável, até que o inevitável aconteceu. McVoy revogou a licença gratuita para o uso do BitKeeper em código aberto, e em consequência, o Linus Torvalds decidiu abandonar o BitKeeper completamente. No processo, o Linus ainda fez algo que muitos não entenderam: se irritou com o Andrew Tridgell, que do ponto de vista estritamente técnico, estava certo.
Acontece que o Linus não é só um programador. É um gerente, e dos melhores. Ele estava apenas sendo pragmático; devido a um disputa que talvez fosse evitável, na sua opinião, a equipe do kernel perdia a sua melhor ferramenta de trabalho. Porém, justo quando muitos julgaram que o Linus havia dado um passo em falso, ele retorna ao comando, com um trabalho brilhante. Em poucos dias de trabalho, ele analisou as opções de mercado, e continou insatisfeito com o que via. Assim, na falta de soluções, ele criou sua própria solução, com o brilhantismo de sempre. Simples e pragmático. Ao invés de reescrever o BitKeeper, ou de tentar melhorar outros sistemas que eram inerentemente diferentes, ele se ateve ao básico, e escreveu uma pequena quantidade de código. Um novo kernel, por assim dizer -- não para um sistema operacional, mas para um repositório distribuído de arquivos.
O novo sistema, chamado git, já está mostrando seu potencial. Mas o mais importante não é o aspecto técnico, mas o aspecto político. Mais uma Linus Torvalds deu a volta por cima, e mostrou a sua capacidade de se manter no posto de líder do desenvolvimento do Linux. Sua habilidade em identificar o problema e focalizar na solução continuam sendo únicas. Como um líder normal, ele pode cometer falhas, ou se irritar quando as coisas não andam a seu favor. Mas é sem dúvida um líder de fato, e um dos melhores que existem atualmente.
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5 de maio de 2005
Uma Universidade Aberta de Código Livre
Já faz algum tempo que eu venho pensando em uma forma de potencializar o desenvolvimento local de software livre. Uma das coisas que eu considero negativas é o fato de não haver uma cultura de desenvolvimento; nesse ponto, não quero dizer apenas sobre o fato de contribuir ou não código para projetos interessantes, mas o fato de que a maior parte daqueles que poderiam fazê-lo não tem nenhuma cultura de desenvolvimento de software em equipe.
Desenvolver software dentro de uma empresa já é complicado. Desenvolver software aberto, muitas vezes no tempo livre, como um hobby, é ainda mais complicado. Boa parte do tempo é gasto não com a parte tido como mais charmosa, que é a codificação propriamente dita, mas sim com a parte tida como chata: interação com outros desenvolvedores, disputas técnicas (às vezes legítimas, às vezes não), interação com usuários, e por aí vai. O gerenciamento deste ambiente exige um conjunto de habilidades específico. O próprio sucesso do Linux está fundamentado na habilidade excepcional que o Linus Torvalds tem em gerenciar uma equipe notoriamente complicada.
Deste ponto, vem a idéia: que tal uma universidade de código livre? A universidade poderia oferecer um curso de engenharia de software, com foco não no trabalho isolado, mas na dinâmica do trabalho em equipe. Todas as atividades seriam voltadas para projetos abertos. Os trabalhos dos alunos, por definição, seriam publicados como código livre. Projetos reconhecidos poderiam ser apoiados, e os alunos encorajados a dar apoio em tarefas como documentação, teste, suporte via email, entre outras coisas. Seria um curso legítimo, altamente interessante, que iria formar profissionais com uma qualificação única no mercado.
Será que é sonhar demais?
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20:58
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De volta: Intel x AMD, Google x Microsoft
Os rascunhos rotos estão de volta! ou pelo menos, esta é a intenção. Fiquei sem atualizar este blog por um bom tempo, devido a algumas mudanças pessoais e profissionais importantes. Agora, estou com meu tempo um pouco mais estável, e espero poder manter o mesmo nível de atualização de outros tempos.
Pra começar, um pouco de comentários sobre novidades...
Comprei um PC há cerca de três meses. Escolhi um Sempron 2400, que tem um ótimo desempenho, e que está me satisfazendo plenamente. Aqui no meu (novo) trabalho, estamos comprando PCs também, e há uma definição preliminar pelo uso do Pentium IV. Eu me pergunto, o que é que faz com que muitas pessoas ainda tenham a percepção de que o 'Intel Inside' vale mais? Acho difícil de sustentar o argumento; afinal, a AMD é uma empresa de grande porte, com investimentos pesados em R&D. Por isso, fiquei ainda mais interessado ao ler uma análise técnica sobre os recentes chips de 'dual core'. Segundo o autor, a Intel está perdendo esta batalha.
Para quem não acompanha, esta é a nova moda para melhorar o desempenho e manter a lei de Moore viva. Colocando duas CPUs em um único chipset, pode ser obtido um desempenho superior ao de um sistema SMP tradicional, porque a arquitetura já está internamente otimizada para trabalhar desta forma. Imagina-se que no futuro a técnica de núcleos múltiplos venha a ser usada em uma escala cada vez mais ampla, até chegarmos a múltiplas CPUs multiprocessadas em um único chip... no desktop.
Outro tema que me interessa há muito tempo é a crescente batalha entre Google e Microsoft. Parece que o Google conseguiu uma façanha inédita: criou um novo campo de batalha onde os métodos tradicionais da Microsoft não se aplicam. A batalha deve estar sendo um exercício de impotência e humildade para a gigante de Seattle. Como combater alguém que em momento nenhum se coloca como concorrente, e mesmo assim, consegue agregar mais valor aos usuários através de ferramentas livres do que qualquer coisa que a Microsoft faz.
Na minha pouco informada opinião, a Microsoft prova um pouco do seu próprio remédio. Seu controle sobre o mercado é baseado em algumas premissas que não se sustentam em um mundo altamente conectado. Em um certo momento, ela poderia ter liderado a carga para um mundo mais aberto, através de extensões para o Internet Explorer e outras coisas do tipo. Mas ela achou que já tinha afastado o risco, e decidiu concentrar os esforços em um novo sistema fechado, o seu 'Longhorn', para manter o controle das coisas do jeito que elas eram antes.
Provavelmente, a Microsoft acordou tarde demais. O que interessa agora não é software puro, mas informação. O Google sabe lidar com a informação melhor do que ninguém. Resta saber qual será a estratégia da Microsoft. Não seria estranho vê-la entregando os anéis para não perder os dedos. Hoje, a empresa tem múltiplas divisões, e talvez seja melhor se consolar com um papel reduzido na sua tradicional área de domínio e continuar crescendo em faturando nas outras linhas de negócio onde a empresa já tem obtido bons resultados (particularmente jogos e conteúdo digital). Mas talvez ela queira levar a disputa às últimas consequências. Espero que nós, usuários, possamos contar com uma luta limpa, e com muita evolução tecnológica como consequência desta disputa. Por outro lado, espero que não se busque uma saída jurídica, como restrições ao que pode ser feito via Internet - já pensou se o Google acaba proibido de indexar conteúdo, por causa de alguma decisão relativa a direitos autorais, ou coisa que o valha?
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12 de fevereiro de 2005
Dá para confiar em um firewall que remapeia portas?
Notei hoje um fenômeno interessante. Nos últimos dias eu fiz uma instalação de firewall para um cliente, e decidi avaliar como estavam as coisas. A partir de casa, rodei o nmap, e obtive os seguintes resultados:
A despeito do fato de que o serviço de ftp deveria ter sido bloqueado, e não foi - o que é uma falha da configuração atual - achei curioso o resultado para algumas portas. Não me lembrava, de forma alguma, de ter aberto os serviços adicionais (389, 1002 e 1720). Verifiquei e vi uma coisa interessante: se eu tentasse um telnet para qualquer uma dessas portas, a conexão era estabelecida; porém, a captura de pacotes via tcpdump no próprio cliente não revelava nenhum tráfego entrante.
Starting nmap 3.50 ( http://www.insecure.org/nmap/ ) at 2005-02-12 18:47 BRST
Host xxx.xxx.xxx.xxx appears to be up ... good.
Initiating Connect() Scan against xxx.xxx.xxx.xxx at 18:47
Adding open port 22/tcp
Adding open port 21/tcp
Adding open port 80/tcp
Adding open port 1002/tcp
Adding open port 389/tcp
Adding open port 1720/tcp
The Connect() Scan took 329 seconds to scan 1659 ports.
Interesting ports on xxx.xxx.xxx.xxx:
(The 1653 ports scanned but not shown below are in state: filtered)
PORT STATE SERVICE
21/tcp open ftp
22/tcp open ssh
80/tcp open http
389/tcp open ldap
1002/tcp open windows-icfw
1720/tcp open H.323/Q.931
Nmap run completed -- 1 IP address (1 host up) scanned in 331.759 seconds
Uma breve pesquisa na Internet resolveu o mistério. O pessoal do nmap já tinha notado algo estranho, e o próprio suporte da Microsoft respondeu. O firewall do Windows XP faz um proxy automático para as portas citadas. O curioso é que isso não está bem documentado, e nem aparece se você rodar um netstat no Windows para saber quais portas estão 'ouvindo' no momento. Se você pensar bem, a intenção é até razoável; é uma forma de suportar automaticamente chamadas com NetMeeting em um computador dentro da rede local. Mas fica a pergunta, dá para confiar em um firewall que remapeia tráfego sem avisar?
Agora, para quem está curioso. Minha rede doméstica deve ser um caso único: um computador com com Microsoft XP para compartilhar o acesso de um computador com Linux. O motivo é simples, a minha placa ISDN (uma Eicon Diva Pro) não é suportada por nenhum driver Linux, devido a questões de propriedade intelectual do driver. Enquanto não dá para trocar o acesso ISDN por outro, fica desse jeito.
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4 de fevereiro de 2005
Os Jornalistas e Os Blogs - Alexandre Cruz Almeida
Como blogger amador e aspirante a escritor, ler o comentário sobre os jornalistas e os blogs, do Alexandre Cruz Almeida, foi uma experiência fascinante, iluminadora e... humilhante. Fascinante por ler um bom texto. Iluminadora, por perceber o quanto os blogs já fazem parte do cotidiano da grande imprensa. E humilhante por perceber a distância que separa este reles escritor de horas vagas dos profissionais da imprensa. Mesmo assim é leitura recomendada.
E fica o caso para pensar: quando é que a auto-fascinação da imprensa pelos blogs, já manifestada nos EUA, vai ser perceptível por aqui de forma mais evidente? Está claro que os grandes órgão de imprensa e os principais jornalistas já aderiram, mas a coisa ainda parece ter um gostinho de 'underground'. Talvez o fato de eu estar escrevendo estas linhas do interior do Brasil, em Uberlândia, longe das rodinhas intelectuais, esteja me passando uma impressão parcial. E depois... até que ponto esta auto-fascinação vai nos levar? O que mudará na imprensa? Boas perguntas, que ainda não tem resposta.
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17 de janeiro de 2005
Celulares & tsunami
Durante o recente tsunami no Oceano Índico, vários turistas foram salvos através do rastreamento dos sinais de celulares. Pelo menos, é que foi noticiado em um jornal online do Sri Lanka, um dos países mais atingidos. Segundo o artigo, as operadoras de telefonia colaboraram, monitorando os sinais ativamente, e enviando mensagens com SMS para os celulares que eram registrados pelas suas estações. Ainda segundo o artigo, apesar da destruição causada pelo tsunami, as operadoras foram capazes de restaurar cerca de 90% do serviço rapidamente usando geradores móveis para alimentar as estações atingidas.
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16 de janeiro de 2005
Curiosidades sobre o Google
O Google continua sendo para mim um paradigma do que uma aplicação Web precisa oferecer: simnples, rápido e eficiente. Poucas empresas levam tão a sério seu produto, ou se preocupam tanto com a forma comoas pessoas efetivamente o utilizam. Li hoje uma
entrevista com Marissa Mayer, gerente de produtos do Google, que confirma mais uma vez esta impressão, e ainda traz uma série de curiosidades sobre esta fantástica empresa.
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8 de janeiro de 2005
Configurando X Windows+SSH em Windows - Parte I
Para aproveitar o tempo de um final de semana relativamente tranquilo, decidi tentar configurar um servidor X Windows para desenvolvimento remoto. Este artigo cobre a fase inicial de pesquisa; pretendo postar os resultados finais após um período de avaliação.
Motivação
Ultimamente, tenho dividido meu tempo entre meu escritório doméstico e as instalações de meus clientes. Tenho uma máquina de desenvolvimento alocada em um dos clientes, que é também o meu repositório SVN pessoal. O servidor roda Linux, e eu trabalho nele com o Eric3, que atende minhas necessidades como IDE (basicamente: gerenciamento de projetos, debugger e integração com o SVN). Infelizmente, o Eric3 não está disponível para Windows (o problema é a licença do Qt, que também afeta outros projetos); por isso, eu não posso utilizá-lo no escritório doméstico, que ainda usa Win98.Ferramentas disponíveis
Fiz uma pesquisa preliminar sobre o assunto via Google. A princípio os resultados não são muito animadores; a maior parte dos resultados lista produtos comerciais, o que não é uma opção no momento. Porém, achei alguns links valiosos:- Free SSH and SCP for Windows 9x, NT, ME, 2000 and XP: Em meio a tantos links comerciais, esta página é um pequeno achado. Ela contém links interessantes e dicas de configuração para várias ferramentas úteis, baseadas em SSH e SCP.
- CygWin XFree: por algum motivo, eu não tinha imaginado que o CygWin incluísse um servidor X; na verdade eu achei que ele só tivesse os utilitários de linha de comando. Esta impressão foi reforçada pelo fato deste não constar nas pesquisas do Google para o assunto; felizmente, a referência estava na página anterior (sobre SSH e SCP).
A idéia de instalar um ambiente completo CygWin é interessante mas um pouco assustadora; já instalei o CygWin antes, e achei a integração com o Windows muito pouco intuitiva. Mas no momento, esta parece ser a melhor opção, especialmente porque será certamente um pouco mais fácil encontrar documentação sobre o uso do XFree com SSH, usando ferramentas livres, do que com qualquer outro produto.
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4 de janeiro de 2005
Viciados em planilhas
Recebi hoje um link, a essa altura já não me lembro bem de quem, tratando do vício em planilhas. É um fato conhecido que as planilhas eletrônicas são abusadas já faz muito tempo... e que ninguém faz nada quanto a isso, na maioria dos lugares.
O artigo levanta alguns pontos interessantes. Montar uma planilha é, a princípio, simples. Mas programar em uma planilha pode ser extremamente complicado. No entanto, usuários que se consideram leigos, e absolutamente incapazes de programar, decidem implementar rotinas de cálculo sofisticadas -- e o que é pior, críticas -- usando o Excel. O que os leva a crer que esta é a forma mais simples, eu não sei. Acredito que em parte, é devido ao fato de se poder prototipar uma planilha ao vivo; assim, a solução vai sendo desenhada aos poucos. Este processo lembra em muito o procedimento tradicional de construir alguma coisa artesanalmente. Por outro lado, esta interatividade é usualmente perdida no processo tradicional de programação.
Uma saída possível é educar estes usuários em metodologias de programação mais modernas, como o desenvolvimento dirigido por testes, ou Test Driven Development. Mas mesmo assim seria útil dispor de um ambiente onde isso pudesse ser feito de forma tão intuitiva e imediata como em uma planilha. Por enquanto, estamos fadados a continuar vendo planilhas que demora um dia para calcular... para dar o resultado errado.
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17 de dezembro de 2004
Notas sobre peer-to-peer, propriedade intelectual, e a liberdade de comunicação na Internet
O professor Edward Felten é uma dessas figuras pouco conhecidas do grande público, mas que vem desempenhando um papel fundamental no estudo sério do impacto da Internet sobre aquilo que conhecemos hoje como propriedade intelectual. O conceito de propriedade intelectual, através dos mecanismos de copyright e patentes, surgiu como uma forma de dar garantias aos autores de novas idéias, protegendo-as contra abusos, de forma a encorajar a publicação de novas invenções. O debate sério hoje centra-se não sobre a questão da propriedade intelectual em si -- cujo valor é notório -- mas dos abusos que atual sistema legal incorporou ao longo dos anos para defender os interesses políticos e econômicos de poucos. Estas restrições ameaçam hoje a própria liberdade de comunicação, além de terem efeito negativo sobre a economia, pois elas se tornaram barreiras à inovação, ao invés de encorajá-la.
Um dos alvos preferidos das associações de empresas de entretenimento, particularmente a MPPA (que reúne os estúdios de Hollywood) e a RIAA (que reúne os selos de música) são as redes de comunicação peer-to-peer. Desde o surgimento do Napster, e com a disponibilidade de banda larga em abundâncias, estas associações tem lutado uma guerra sem tréguas contra as redes de pirataria. O problema é que, ao ver seu próprio modelo de negóciosendo tornado obsoleto pelas novas possibilidades técnicas, elas apontam suas armas muito mais embaixo: a solução é restringir o direito de comunicação, impondo barreiras técnicas e legais ao que pode ser feito na Internet.
No caso das aplicações de transferência de arquivo peer-to-peer, o problema é que elas não apenas mecanismos de pirataria, como querem alguns, mas simples ferramentas de cópia genéricas, muito úteis para outras aplicações como distribuição legal de programas, distribuição de cópias de segurança de arquivos, e até mesmo a distribuição de filmes e músicas de domínio público. O problema é que não há nada que possa ser embutido em um sistema dessa natureza que permita diferenciar, do ponto de vista estritamente técnico, o que é um conteúdo legal ou não. São todos eles apenas sequências arbitrárias de bits e bytes, totalmente transparentes em seu conteúdo ou intenção para o meio de transporte.
Recentemente, uma aplicação popular -- o BitTorrent -- tornou-se o alvo da MPAA, que está processando os sites que armazenam os indicadores de conteúdo. Note bem: o indicador de conteúdo não é um arquivo que possa ser protegido por copyright, é apenas um ponteiro para um local da rede onde alguém colocou aquele conteudo à disposição. A base legal para processar o servidor de trackers é bastante limitada. Mas mesmo assim, a MPAA vai tentar, com seu arsenal jurídico, fechar estes sites.
É neste ponto em que retornamos ao professor Felten. Recentemente, ele publicou um pequeno programa de exmple: uma aplicação completa, cliente e servidor P2P em menos de 15 linhas em Python. O código foi rapidamente publicado via Slashdot, onde disparou repercussões técnicas interessantes. Uma versão com apenas 9 linhas em Perl foi publicada a seguir, e uma outra, ainda menor, de apenas 6 linhas em Ruby, também foi postada.
O argumento do Prof. Felten é que uma aplicação tão fácil de implementar quanto estas não pode ser razoavelmente proibida. A verdade é que a tecnologia deu um salto que invalida o modelo de negócio de todo um setor empresarial. O telégrafo foi substituído pelo telefone, e o telex pela Internet. Empresas que se apoiavam na tecnologia antiga fecharam, enquanto outras surgiram para ocupar o espaço. Da mesma forma, oos grandes estúdios precisam rever seu próprio modelo de negócio. A possibilidade de produzir e distribuir conteúdo de qualidade a baixo custo possibilita o surgimento de um novo modelo de negócios. Estúdios menores podem produzir uma nova banda por um custo muito inferior, e operar em uma escala menor.
Um efeito colateral interessante deste processo é a possibilidade de reduzir o impacto da massificação e do monopólio cultural. No segmento musical, este fenômeno já é possivel. No entanto, do ponto de vista técnico, a indústria do cinema tem muito mais a perder, pois o volume de investimentos necessários -- tanto em termos financeiros como humanos -- para produzir um filme de boa qualidade é muito superior àquela que pode ser obtida pela dedicação de uma banda de rock. Assim, enquanto no cenário musical a fragmentação é possível, e até interessante, no caso do cinema há um desafio muito maior para ser superado. No entanto, nada disso justifica a guerra aberta contra as aplicações peer-to-peer, e nada justifica cercear o direito de comunicação através da Internet.
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11 de dezembro de 2004
Novidades: Sistema de Workflow
O blog ficou um bom tempo sem atualização, e por um bom motivo. No momento, estou trabalhando na implementação de uma aplicação Web profissional para gerenciamento de processos, ou seja, workflow. O produto está sendo escrito em Python, e utiliza o CherryPy como servidor de aplicação Web. Para quem programa em Python, ou para aqueles que procuram uma ferramenta leve para aplicações Web, sugiro analisar o CherryPy. O resultado final será publicado como um programa aberto, sendo que a oportunidade de negócios está na customização do sistema para os processos de um cliente específico.
Há várias formas de modelar aplicações de workflow, sendo que as mais difundidas são associadas a alguma metodologia ou notação proprietária, o que dificulta a sua aplicação em um ambiente de software aberto. Ateoria fundamental é bastante consistente, mas existem poucos recursos online que a apresentem de uma forma acessível. A estrutura escolhida se baseia em um formalismo matemático poderoso, que são as redes de Petri. Alguns sistemas abertos de workflow se baseiam em redes de Petri. Uma boa referência em PHP é o artigo An activity based Workflow Engine for PHP. O sistema proposto tem algumas particularidades, mas serve como uma boa introdução ao tema.
No momento, o sistema ainda não tem uma documentação apresentável, apesar de todo cuidado com a estrutura do código fonte. O projeto se baseia em uma filosofia de desenvolvimento rápido: TDD, ou Test Driven Development. A parte mais difícil em adotar o TDD foi descobrir uma forma de separar, ou desacoplar, os módulos. A tendência ao se escrever código com rapidez é usar recursos escusos, como variáveis globais e código estilo spaghetti. A metodologia TDD tem uma vantagem: ela não se presta a esse tipo de código, que acaba assim não tendo muita chance de aparecer no projeto.
Espero que até o começo de janeiro a base do sistema já tenha atingido um patamar de estabilidade suficiente para a produção de um release com qualidade beta, pelo menos. Dúvidas e comentários são bem vindos -- basta mandar um email ou deixar um comentário no blog.
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Aplicações Web - Editores de documentos via Internet
Nestes últimos dois meses, colecionei alguns links interessantes, mas não tive ainda tempo de analisar ou escrever nada sobre eles. Particularmente hoje, encontrei uma série de referências sobre editores para conteúdo online. Quem usa webmail, blogs e wikis sabe o quanto é limitada a interface tradicional - uma caixa de entrada de texto, sem possibilidades de formatação ou de comandos mais avançados. A novidade é que há uma série de ferramentas sendo desenvolvidas, algumas das quais muito promissoras:
- Kupu é um editor de textos multiplataforma (compatível com Internet Explorer e com Mozilla/Firefox). O site contém um demo interativo.
- O Jalopy é um projeto, baseado no Kupu, para um editor de documentos interativo, multiplataforma. Inclui alguma funcionalidade própria de gerenciamento de conteúdo.
- Silva (não, nã é o vizinho do Pato Donald) é um CMS, baseado em Zope, que usa o Kupu. Não tive tempo ainda de verificar os detalhes, mas o produto parece bem estruturado.
- Tibia é um projeto novo, anunciado na c.l.py. É um script CGI que pode ser instalado em um site pré-existente, e que permite editar as páginas de forma estruturada (baseada no modelo DOM).
- Finalmente, quem precisa apenas de um pequeno "hack" para ativar editores externos usando o Mozilla/Firefox pode usar o mozdev. Não tem a funcionalidade do Kupu, mas é útil par aalgumas situações.
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27 de novembro de 2004
A nova revolução
Recebi esta semana um artigo interessante do Jakob Nielsen: Undoing the Industrial Revolution. Para quem não conhece, o Sr. Nielsen é um dos maiores especialistas em usabilidade, ou seja, o estudo científico de como tornar a tecnologia mais acessível e fácil de usar, principalmente para quem não tem conhecimento técnico.
O argumento do artigo repete um ponto que eu já tive oportunidade de discutir: a nova revolução, ou seja, a revolução da Internet, marca o fim de uma era que começou com a Revolução Industrial. Até bem pouco tempo atrás, a receita para o poderio econômico era relativamente simples: massificação, com o ganho de escala industrial trazendo o retorno financeiro desejado.
Atualmente, já há inúmeros sinais de que uma nova forma de trabalhar está surgindo. A tecnologia avança no sentido de permitir a produção de bens e serviços altamente customizados a um preço extremamente competitivo. A customização não se opõe à industrialização em massa, mas permite que novos competidores entrem no mercado oferecendo um produto melhor.
Ainda acho que há muita coisa para acontecer antes que o cenário apresentado pelo artigo se materialize. No entanto, vale a pena torcer. Me parece que um mundo com empresas menores, mais eficientes e mais localizadas, ficará mais próximo da escala humana, e poderá ser uma boa alternativa para a melhoria da qualidade de vida.
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1 de novembro de 2004
Adeus tabelas, viva CSS: a evolução do Web design
Desde que eu recomecei a estudar o estado da arte em aplicações Web, um dos temas de maior importância que pude ver foi o crescimento do uso de desenho de páginas web baseadas em CSS, ou "Cascading Style Sheets". As páginas desenhadas usando corretamente os recursos de HTML+CSS tem várias vantagens: o código fica menor, sendo carregado e desenhado com mais rapidez no browser, economizando banda e tempo do usuário. Nesta filosofia de trabalho, não se usam tabelas para definir o layout do site; apenas divisões e estilos CSS. O código resultante fica mais limpo e fácil de manter. Outra grande vantagem está na separação entre a parte visual e o conteúdo do site: é possível mudar o visual do site totalmente sem ter que reescrever o conteúdo da página. Para quem desenvolve aplicações dinâmicas (com ASP ou PHP, por exemplo), isto permite que o visual da página seja modificado sem alterar o programa que gera o conteúdo.
O site css Zen Garden: The Beauty in CSS Design é uma demonstração viva do poder da combinação HTML+CSS. O mesmo site pode ser visto com diferentes folhas de estilo, gerando visuais completamente diferentes. Se você ainda não conhece, visite o site e clique nos exemplos, para ter uma noção da variedade de design que é possível. Os exemplos destacam algumas das vantagens do CSS, e desbancam alguns mitos que ainda persistem:
- Mudanças radicais de layout. No Zen Garden, algumas folhas de estilo colocam a coluna auxiliar to lado esquerdo. Outros colocam do lado direito.
- É possível usar gráficos em CSS. Todas as imagens de fundo são especificadas como parte da folha de estilo. Isso inclui imagens de fundo de colunas, preenchimentos automáticos, e desenhos altamente sofisticados de bordas para colunas. Não é necessário codificar estas imagens no código HTML, o que facilita a sua modificação posterior.
- Uso de colunas flexíveis. As colunas em CSS não são como as colunas de uma tabela. Elas são flexíveis, e podem se ajustar de forma muito mais natural à largura da tela. Em inglês, o termo é conhecido como liquid layout, e é uma das tendências de design atuais.
- Compatibilidade entre browsers diferentes. Mesmo com todas as particularidades, e com problemas conhecidos (sejam bugs, ou apenas diferentes interpretações das normas do W3C), é possível desenhar sites que aparecem com a mesma formatação em uma ampla gama de browsers. O código escrito à moda antiga (entremeado dentro do conteúdo da página) é quase impossível de ajustar.
Se o desenho baseado em CSS tem tantas vantagens, porque é que ele ainda não é amplamente utilizado? Há várias razões para isso, nenhuma delas boa suficiente para que esta situação se mantenha:
- Hábito. Muita gente que está no mercado já escreve páginas Web há anos, e não vê motivo para mudar ou aprender novas técnicas.
- Falta de disciplina. O desenho baseado em CSS exige uma disciplina própria, separando as atribuições do artista gráfico e do programador. Há uma grande tentação de embutir formatação no código que gera as páginas em uma aplicação Web; isto frequentemente previne o artista gráfico de conseguir os efeitos desejados. É preciso disciplina, e uma interface clara para que o trabalho seja complementar, e não ocorram interferências prejudiciais.
- Falta de designers treinados. Poucos designers conhecem CSS profundamente, e não se sentem confortáveis com o processo muitas vezes não-visual de escrever o código em CSS. No entanto, usando as ferramentas adequadas, e com um pouco de treinamento, é possível superar este problema. As vantagens em termos de liberdade de design compensam as dificuldades de adaptação.
- Ferramentas defasadas. Este talvez seja o motivo mais sério, e a principal razão pela qual muitas páginas continuam sendo escritas "à moda antiga". Os editores de páginas Web mais tradicionais não oferecem um ambiente que encoraje a separação de conteúdo e de estilo. Pelo contrário, é muito fácil sucumbir à tentação de selecionar elementos visuais e aplicar o estilo diretamente. O código resultante costuma ser complicado, lento e pesado, tanto em termos de tempo de transmissão como de renderização no browser. Finalmente, é quase certo que este tipo de página só será visualizada corretamente em um único tipo de browser, que é aquele que o autor utilizou para testar o visual (na maioria das vezes, o Internet Explorer).
Apesar de todos estes problemas, o uso do desenho baseado em CSS vem crescendo por seus próprios méritos. No caso de aplicações dinâmicas, o seu uso se torna quase uma exigência natural, uma vez ultrapassada uma fase natural de adaptação ao modelo de desenvolvimento. A economia de banda é outra vantagem importante, bem como a possibilidade de atender um universo maior de clientes, com telas variando desde o "pocket" até dimensões de 1280x1024 ou superiores, com um design que se não é idêntico, pelo menos é consistente, e preserva a intenção do designer.
Finalmente, para os céticos de plantão, uma amostra dos benefícios em um caso prático. A equipe da Atípico redesenhou a página do Terra usando CSS. Os resultados imediatos foram uma redução de 50% no tamanho total da página e consequentemente, no uso de banda e no tempo de carga da página (que caiu de cerca de 16 segundos para menos de 10 segundos). Se todo o benefício estético não vale nada, que tal um leve apelo para o bolso?
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Unknown
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