Algumas conexões são curiosas.
Semana passada, recebi dois comentários aqui no blog a respeito da concentração do mercado de TI no Brasil. Ambos postaram como anônimos, comentando sobre o processo de centralização da Oi no RJ. Tirando de lado os comentários em si, que são importantes, acho curioso que as pessoas se preocupem tanto com o seu anonimato na hora de postar uma opinião. É um comportamento tipicamente brasileiro.
Há um mês atrás, estive em um evento excelente do Gartner em SP. Um dos temas (entre muitos) foi a colaboração e a Web 2.0 como ferramenta de negócios. Conversei com o palestrante (Waldir Arevolo, um dos poucos brasileiros que trabalha como analista do Gartner) e perguntei a ele porque o brasileiro colabora tão pouco quando ferramentas como blogs e Wikis são usadas no ambiente de trabalho. Acho que a pergunta o pegou de surpresa. Ele sugeriu algumas estratégias interessantes para encorajar as pessoas a participarem. Porém, a pergunta ficou no ar.
O brasileiro tem uma cultura curiosa. Ele adora aparecer, quando o assunto é inofensivo. Basta ver a forma como adotamos o MSN para conversar trivialidades. Por outro lado, o brasileiro detesta assumir posições políticas em público. No Orkut, criamos personalidades de fachada para escrever o que dá na cabeça, e para entrar nas comunidades que nos interessam. Pode ser medo de se comprometer, ou pode ser um resquício de uma cultura de perseguição cultivada em uma história política conturbada. Pode ser por um motivo ainda mais simples - pouca gente sabe escrever no Brasil. Ou pode ser porque as pessoas que escrevem sério são tachadas como chatas, e todo mundo quer ser popular.
No Brasil, é popular escrever errado. É popular contar piadas. Mas não é popular emitir qualquer opinião por escrito, contra ou a favor, mesmo que seja para falar mal do governo. Esse é o domínio dos colunistas e dos jornalistas. No Brasil, é popular aplaudir, ou até ironizar. Mas não é popular polemizar.
Em uma reunião recente discutindo estratégias de marketing, falamos sobre uso de ferramentas Web 2.0 no mercado corporativo. A primeira preocupação foi com o alinhamento do discurso, e definir quem pode escrever em nome da empresa. É mais uma preocupação em que nós brasileiros somos mais conservadores do que nossos primos do norte. Obviamente que devem haver regras e limites, em nome da imagem corporativa. Mas será que é necessário tanto cuidado? Será que temos tanto a perder assim? Será que não nos levamos excessivamente a sério?
Como quebrar essa cultura? Como encorajar as pessoas a participarem mais de um processo de debate aberto? Talvez as novas gerações, que já nasceram sob o signo da Web 2.0, possam usar melhor essas ferramentas maravilhosas. Mas sinto que muita coisa nesse país poderia melhorar se as pessoas deixassem um pouco mais o seu anonimato e assumissem publicamente suas opiniões. Temos muito mais a ganhar do que temos a perder. Esse é o ponto.
25 de setembro de 2007
Web 2.0, o brasileiro e o anonimato
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16 de setembro de 2007
Interação social e tecnologia: ThePalace, Second Life e Facebook
Respondi hoje a um post no blog do Eduardo Rabboni, falando sobre o Second Life no Brasil. Achei que a resposta merecia considerações mais extensas aqui nos Rascunhos Rotos. Antes de mais nada, que fique clara uma coisa: acho que o "fenômeno" Second Life é uma bolha passageira, e como praticamente tudo na Internet, vai dar lugar a algo melhor. O ambiente não é propício para uma evolução gradual, o que o torna um candidato à longa lista de sucessos do passado.
Em 1994/1995, eu tinha um pequeno provedor Internet em BH. Chat era com IRC - não existia MSN e nem mesmo ICQ (só surgiu em 1996). Na época, surgiu o The Palace. Não era um programa qualquer, era um experimento financiado pela Time Warner. Era um chat gráfico em 2D com múltiplas salas em um ambiente virtual. O usuário navegava pelas salas usando seu avatar (está achando o termo familiar?). Para os padrões de 2007 o visual era rudimentar, mas servia para que o o usuário se expressasse. O texto aparecia na forma de balões [1]:O Palace fez sucesso na época mas não decolou. A tecnologia não estava madura; não existia banda larga, o acesso era discado. Os PCs da época não tinham CPU suficiente para oferecer gráficos de alta qualidade.
Hoje, 13 anos depois vemos o Second Life, oferecendo um ambiente virtual interativo. A tecnologia agora é melhor, mas será que é o suficiente?
Acredito que não. Acho que a maioria das pessoas se sente tentada a imaginar o futuro em uma interface visual como a do Second Life, um mundo virtual onde se pode interagir com as pessoas através de um personagem. Mas acho que na prática, esse tipo de interface ainda precisa evoluir muito para ser prática e confortável.
Enquanto isso, a grande aplicação do momento na Internet não é o Second Life, mas sim o Facebook. O Facebook é mais do que "um Orkut que deu certo" (nota: o Orkut é tido como um fracasso retumbante nos EUA). O Facebook é uma plataforma extensível, que facilita o processo de publicação e consumo de informação de várias formas, dentro das redes sociais. Ele não tenta imitar o mundo físico como o Second Life, mas imita a forma como nós, seres humanos, lidamos com nossas relações pessoais. E esse é o ponto mais importante.
Nós, seres humanos, somos consumidores e produtores ávidos de informação. Nosso cérebro evoluiu para sobreviver em um mundo onde o relacionamento humano é fundamental. Sabemos, de forma inata, como ler linguagem corporal, como determinar sentimentos e emoções atrás de qualquer tipo de comunicação. Ferramentas como o Facebook são bem sucedidas porque integram e alimentam a nossa rede de relacionamento social. Já o Second Life imita outro aspecto da vida - a experiência física - que nem de perto é tão importante quanto a rede de relacionamento de cada um de nós. Por isso acho que serviços como o Facebook apontam para o futuro de forma mais precisa do que o Second Life. Em outras palavras, a realidade mental - social e psicológica - é mais importante do que a realidade física. Afinal, é ela que nos faz humanos.
[1] imagem retirada do artigo Etnografia em ambientes de sociabilidade virtual multimídia. - Mário Guimarães Jr., 1998
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9 de setembro de 2007
A era de ouro da Web está só começando
Meados dos anos 90. A Internet começa a se abrir ao acesso comercial. O email é o "killer app" da rede. No CERN, Tim Berners Lee introduz a World Wide Web. Em poucos anos, a Web supera o email e transforma a Internet em um fenômeno mundial.
2007. A "Web 2.0" é um grande avanço frente à Web dos anos 90. O surgimento de interfaces ricas, usando tecnologias como Ajax, é só o começo. Aplicações sociais disparam em popularidade. Orkut, LinkedIn, Facebook, MySpace...
Até onde a Web vai nos levar?
Em 2003, em plena crise do estouro da bolha, muitos comparavam a Internet com a corrida do ouro: quem chegou primeiro ficou rico, quem chegou tarde perdeu tudo. Nessa época, Jeff Bezos (da Amazon) observou que a Internet era mais do que isso, e que a fase da inovação estava só começando. Na corrida do ouro, a hora que a mina se esgota, não sobra nada para quem vem depois. A Internet não é assim. A infraestrutura que foi criada no auge da bolha continuava lá, disponível, para que outros criem coisas novas.
Bezos comparou a atual fase da Internet com outro estouro tecnológico: o surgimento dos primeiros aparelhos elétricos domésticos. Aproveitando a fiação que havia sido feita para a iluminação, empresas começaram a criar novos produtos para ajudar nos afazeres da casa. Assim surgiram coisas como a torradeira, o aspirador de pó e a máquina de secar sapatos. Nem todos foram bem sucedidos. Muita gente quebrou, mas outros acertaram a mão com produtos inovadores, que hoje fazem parte do nosso dia a dia.
Há um ponto em comum entre a Web e os primeiros aparelhos elétricos: ambos são (ou eram) rudimentares. Os primeiros aparelhos não tinham tomada, e eram ligados no lugar do bulbo da lâmpada (afinal, as tomadas não existiam nessa época). Não existia chave liga-desliga - para desligar tinha que ir no bulbo e desrosquear. Obviamente, muita gente se acidentava.
Por mais que a gente se entusiasme com a tecnologia, a Web ainda é assim, rudimentar. Falta muito para que ela se torne parte do nosso dia a dia como as torradeiras ou máquinas de lavar roupa. Enquanto isso, muita gente inova, e muita gente experimenta, com pequenos acidentes aqui ou ali. Mas é assim que se faz o progresso.
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7 de setembro de 2007
Esbarrões: Palm, HDs, Windows Vista, Google, Apple, contratação de pessoas.
Ao longo da semana, esbarrei em um bocado de coisa e achei melhor blogar tudo de uma vez.
Esbarrei na Palm Computing duas vezes essa semana. A primeira, quando escrevi um comentário sobre a história da Palm. Agora, a notícia de que o futuro da Palm não parece promissor. Algumas empresas tem o toque de Midas - tudo que elas fazem dá certo. A Palm já foi líder incontestável de mercado. Com erros de marketing, de desenvolvimento de produto, falta de um ecosistema de parceiros, a morte lenta parece ser inevitável.
Vi notícias sobre HDs mistos (com disco rígido e memória Flash) (via Scoble e Dvorak). São mais rápidos que os HDs convencionais - dá pra carregar o OS sem precisar girar os discos. A Microsoft tinha prometido suporte a esses novos HDs no Vista mas não cumpriu o prometido...
Falando em Windows Vista, as notícias são desencontradas. A Microsoft comemora publicamente vendas recordes. Porém, o mercado não tem reagido bem. Fabricantes desancam a empresa publicamente. A Dell passou a dar opção pelo Linux, a Acer reclama que o Vista não estimula as pessoas a comprar um PC novo. Se por um lado a Microsoft deu um salto de qualidade em termos de estabilidade e de segurança, parece que deixa a desejar no básico, que é o produto.
Outro encontrão foi com a Apple, que teve uma semana cheia. De um lado, produtos novos (iPod Touch), e a redução de preços do iPhone. De outro a reclamação dos usuários contra a plataforma fechada, e o choque de quem descobriu que pagou mais caro "à toa". A Apple já teve problemas sérios com isso... e o Steve Jobs foi demitido. Agora, ele é o rei de novo. Estaria cometendo os mesmos erros? Bom, dessa vez ele veio a público com uma carta explicando a redução de preços do iPod. Ponto pra ele, está ouvindo os clientes. Falta abrir as plataformas da Apple.
Falando em Jobs, recebi um link do Danilo Gontijo (agora na Oracle) de uma palestra famosa que eu ainda não tinha visto: o discurso de formatura de Stanford em 2005 (legendado). Tem cópia no YouTube também, um pouco mais legível só que dividido em duas partes. Grande fala motivacional (aliás, devo passar para minha equipe na CPD na semana que vem).
Fechando os esbarrões, tenho estudado muito sobre contratação de pessoas. Contratar gente boa é difícil, e o processo usual não ajuda. O Seth Godin propõe uma pergunta: afinal o que estamos contratando? O processo normal de entrevista tende a selecionar não o melhor candidato para a sua vaga... mas a pessoa que se dá melhor com o processo. Muita gente boa não vai adiante porque não se veste bem, não sabe escrever um currículo, ou porque simplesmente não acredita em si mesma - o que pode não ter nada a ver com a competência da pessoa. Pior: muitas vezes, a pessoa que cuida da seleção se preocupa mais em fechar o processo (contratar "alguém") do que em contratar a melhor pessoa, ou em fazer uma proposta irrecusável. O comentário do Joel Spolsky sobre contratação vai na mesma linha (nota: esse podcast é longo, mas é bastante interessante).
Semana cheia... agora, é feriado, 7 de setembro, e é hora de descansar. Semana que vem tem mais.
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Marcadores: esbarrões, gerenciamento, ti
1 de setembro de 2007
Convergência - ou Jobs, Gates, e o mundo móvel
Viajei longe agora.
Estava lendo um post da Bia Kunze que falava, entre outras coisas, sobre convergência - usar um só dispositivo como smartphone e como mp3 player. Ela se mostra surpreendida por ter abandonado aos poucos o seu iPod Nano em favor do seu telefone novo HTC Touch. Para mim é uma surpresa também. Vejamos:
- Cada dispositivo tem suas próprias exigências ergonômicas. Acho complicado fazer um telefone, uma câmera digital e um MP3 player no mesmo formato. Acho que alguma coisa acaba sacrificada em termos de usabilidade.
- A bateria é um ponto fundamental, e pelo que a Bia comenta, é o ponto forte do HTC Touch.
- Finalmente, tem o problema da integração de software, e é aí que a viagem começa.
A Apple quase quebrou por conta dos fracassos da época, Newton incluído. Uma década depois, o iTunes e o iPod formam a dupla que catapultou a Apple de volta para o topo do mercado. Onde foi que a Apple acertou?
Na integração do software.
(ok, o design é fantástico, mas isso não adianta nada se o produto não for fácil de usar)
Ao tornar simples o processo de gerenciar a biblioteca de músicas, a dupla iPod e iTunes se tornou um sucesso. É a diferença entre copiar arquivos em um pen drive, ou comprar música por $0.99 com um clique e sair ouvindo. Gente normal consegue usar.
O que está acontecendo agora, e qual é a viagem então?
A Microsoft parece que finalmente está chegando lá. A Bia comenta que o a edição móvel do Windows Media Player já é suficiente prática para substituir a dupla da Apple no seu dia a dia. Eu sinceramente achei que isso ia demorar pra acontecer. A vantagem que a turma de Jobs & cia limitada tem nesse novo mercado é fantástica, mas aos poucos, parece que a Microsoft vai reduzindo essa distância.
A Apple sempre se caracterizou por produtos extremamente bem concebidos, altamente integrados - verdadeiros sonhos de consumo. Porém, com exceção do Apple II - que era completamente aberto - todos os seus outros produtos são fechados. Sua estratégia é baseada no controle rigoroso sobre o desenvolvimento do produto, sem abertura para ofertas de terceiros.
Já a Microsoft, apesar de ser uma defensora ferrenha de sistemas proprietários e APIs fechadas, sabe jogar com sistemas abertos quando isso lhe convém. Sua estratégia de licenciamento é mais flexível. Essa forma de jogar foi determinante para que ela alcançasse a posição invejável que tem hoje. Se ela igualar a Apple no terreno onde esta é mais forte, acredito que seja questão de tempo para que a Microsoft tome o mercado.
Vem daí minha viagem de hoje. Já imaginaram o que aconteceria se a Apple tivesse como sócio o Sr. Bill Gates? Imaginem se ela pudesse aliar sua fantástica capacidade de desenvolvimento, sua visão de integração, com um pouco mais de pragmatismo e uma visão mais ampla do mercado. Onde essa combinação iria nos levar?
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31 de agosto de 2007
O problema da concentração de TI em SP (e RJ)
Tem um tema que me incomoda faz tempo, que é a excessiva centralização do Brasil em torno de São Paulo, e em menor escala, do Rio de Janeiro. Para quem trabalha no setor de tecnologia, essa concentração é preocupante. É ruim para todo mundo:
- as empresas localizadas em São Paulo reclamam dos custos altos e da carência de mão de obra;
- os profissionais de tecnologia reclamam que não há opção fora de São Paulo. Alguns vão e entopem ainda mais a cidade, e mesmo assim, não conseguem suprir toda demanda. Outros ficam e não conseguem se desenvolver, por falta de opção profissional.
- as empresas que ficam fora de São Paulo tem seu crescimento limitado, pois o mercado é restrito.
- Existem várias cidades no Brasil com índices de educação e qualidade de vida que podem sediar empresas fortes no segmento de TI, como é o caso de Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Recife.
- A infra-estrutura de telecomunicações já possui capacidade suficiente para suportar aplicações de colaboração, incluindo videoconferência e outras tecnologias de comunicação e cooperação em tempo real.
- Atividades importantes, como hospedagem de datacenters, desenvolvimento de software e suporte podem ser feitas remotamente, usando os meios de comunicação citados.
A concentração traz um grande problema porque perpetua uma situação ruim. As pessoas vão para São Paulo porque só tem emprego lá; o mercado das outras regiões não se desenvolve; e a qualidade de vida em São Paulo só faz cair. A cidade está a ponto de um colapso urbano. A única forma de crescer, agora, é descentralizando, descarregando as operações em outros locais, de forma a criar um crescimento sustentado com uma base muito maior.
Porque as coisas no Brasil são assim? Um dos motivos é que nós gostamos de fazer negócio "olho no olho". Outro motivo é que nossa infraestrutura de transporte é historicamente deficiente, e as pessoas preferem não ter que viajar muito - perde-se muito tempo, custa caro, não é seguro, etc. Porém, se quisermos aproveitar o crescimento do mercado mundial, é importante que sejamos capazes de superar essa barreira.
Como superar esse problema? Essa é a parte mais complicada. As empresas de fora de São Paulo não conseguem ainda penetrar no mercado de lá. Apesar de reclamar da falta de mão de obra, o mercado corporativo paulistano se fecha à oferta de serviços terceirizados realizados à distância. Uma saída interessante seria através do estabelecimento de parcerias. As empresas de fora tem custos menores, e podem trabalhar com empresas de São Paulo oferecendo um serviço complementar ao que elas realizam. Aos poucos, esse processo pode ir validando o modelo de ter fornecedores externos. Outras idéias passam pela divulgação coletiva - grupos de empresas de uma cidade, divulgando seus serviços coletivamente, terão uma maior chance de penetrar no mercado fechado de São Paulo.
Quais são as armadilhas? Há muitas armadilhas no processo. Uma delas é que o cliente aceita um serviço realizado à distância, gosta do serviço, e pressiona para que o seu fornecedor o atenda a partir de uma base em São Paulo. Geralmente não há motivos técnicos para isso - são razões políticas, ou o simples conforto psicológico de saber que o fornecedor está ali do lado, mesmo que isso não faça a menor diferença. É importante saber lidar com esse tipo de situação, que no final traz resultados ruins para todos. Os custos aumentam, a qualidade de vida cai, e o crescimento do país continua concentrado.
Uma outra armadilha é simplesmente a questão da vaidade política. Acredito que em pelo menos um caso isso foi determinante: a transferência da área de TI da Oi de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro. Na minha visão (estritamente técnica) não há motivos pelos quais uma empresa do porte da Oi não possa manter sua área de TI operando fora do Rio de Janeiro. A diretoria pode ficar lá, sem problemas; com uma estrutura de gestão profissional e ferramentas adequadas, é possívl gerir uma operação de TI em qualquer lugar do mundo. Ao levar a operação toda para o Rio, a Oi causa um grande impacto no mercado de Belo Horizonte; porém, para si própria, cria uma situação de aumento de custos. Estando em uma outra cidade, ela poderia ter uma mão de obra mais barata e mais ligada à empresa; estando em uma cidade como o Rio de Janeiro, passa disputar as melhores pessoas com dezenas de outras empresas, todas pagando "peso de ouro".
Essa é uma opinião que com certeza, gera controvérsia. Sinto que se pudermos trabalhar essa questão, vai ser possível melhorar a competitividade do Brasil no cenário mundial. Vamos levar desenvolvimento a vários lugares do Brasil, melhorar a qualidade de vida, e manter os custos baixos. Todos ganharemos com isso.
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7 de agosto de 2007
Mais que grana
Vi uma frase fantástica, daquelas que eu gostaria de ter escrito, sobre a Internet e o bem público:
"But I don't want to live in a world where the only thing the Internet is useful for, or effective at, or pleasant or fun, are activities where someone is making money from me."
Não dá pra não assinar embaixo. Mesmo vivendo de comunicação de dados, e dependendo do "business" da Internet como ganha-pão, a verdade mais pura é simples - a Internet é mais do que um negócio. É mais do que um shopping. É mais do que comércio. Só começamos a arranhar o potencial da Internet como ferramenta para o bem público. Quem sabe iniciativas como inclusão digital conseguirão ampliar o seu potencial, transformando o mundo em um lugar melhor para viver.
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4 de agosto de 2007
Ninguém lembra da infraestrutura
Primeiro foi o apagão. Depois, as estradas. Agora, o caos aéreo. Nos últimos anos, a gente se acostumou no Brasil ao noticiário de crise após crise. Tudo por falta de cuidado com a infraestrutura. O governo nunca sabe bem porque. A gente (que paga impostos) também paga a conta.
Essa semana, ruiu uma ponte nos EUA. Fatalidade? Não, o problema é pior. A infraestrutura dos EUA está esfarelando. O país mais rico do mundo tem problemas por todo lado: estradas ruins, aeroportos com a capacidade estourada, falta de água potável, estouro na geração e distribuição de energia elétrica.
O que é que há de errado? No Brasil dá para dizer que falta dinheiro. Mas o que justifica que o mesmo problema esteja ocorrendo - mais lentamente, mas em escala muito maior - no país mais rico do mundo?
Acho que o problema se explica justamente no nome. Infra. É o que está por baixo, o que ninguém vê. A gente só percebe o quanto precisa dela quando falha. É mais ou menos como se estourar, comendo carne vermelha e gordura saturada a vida inteira, e se surpreender quando o coração avisa que não dá mais. O que ninguém vê vai ficando em segundo plano.
No caso da saúde, com todas as dificuldades, o problema se resolve com a conscientização individual. Afinal, a saúde é sua, o problema é seu, você resolve. E mesmo assim pouca gente se mexe. Mas como resolver o problema coletivo? Como convencer as pessoas que o problema também é de cada uma delas? Essa é uma pergunta que na minha opinião, está longe de ser respondida.
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26 de julho de 2007
Assimetria de interesses
Se você quer ser lido, escreva bem e escreva pouco. Se você quiser que o trabalho da sua equipe seja realmente produtivo, escreva bem e escreva pouco. Invista seu tempo escrevendo. A economia vale a pena.
Existe uma assimetria de interesses entre o autor e o leitor. O autor investe tempo na criação de conteúdo, enquanto o leitor investe tempo para consumir o conteúdo. Se cada um pensar apenas em si, o tempo do outro não interessa.
De que lado a corda arrebenta? Antigamente - quando o conteúdo era escasso, caro e difícil de encontrar - a corda arrebentava do lado do leitor. A gente comprava o livro que tinha para comprar ou ficava sem saber. Porém, a possibilidade de pesquisar (viva Google!) mudou a equação. É cada vez mais fácil achar o que se quer. Cabe agora ao autor respeitar o tempo do cliente.
O YouTube mostra bem o que está acontecendo. Basta ver a duração média dos clipes disponíveis - coisa de três, quatro, cinco minutos. Nos blogs bem sucedidos, existe uma tendência de escrever "posts" no estilo "short message". Um parágrafo, conteúdo concentrado. Redigir bem, e redigir textos curtos, é responsabilidade do autor.
No trabalho, eu passo por chato, porque insisto que resumir as informações é responsabilidade de quem envia, e não de quem lê. Se você recebe um documento de 100 páginas e dá forward para dez pessoas, está desperdiçando o tempo de todas elas. Se você já leu, pode escrever um resumo - o tempo que vai gastar para fazer isso é com certeza muito inferior ao tempo total que as dez pessoas gastarão para ler. E é tudo tempo da empresa, no fim das contas.
(Agora, se você não leu o documento de 100 páginas, para que está encaminhando para outras pessoas?)
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9 de julho de 2007
Will The Real Open Source CRM Please Stand Up? | Open Source Initiative
I have posted a comment on the VTiger x SugarCRM, on a very interesting discussion asking "if there's a true open source CRM" in the market. Worth reading (the article, not necessarily my post).
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6 de julho de 2007
Desenhando soluções viáveis
Soluções criativas são sempre interessantes. Assistindo a uma palestra do TED sobre a evolução do design baseado nas necessidades humanas, ouvi falar pela primeira vez sobre o projeto KickStart.
A KickStart é uma ONG que se especializou em criar ferramentas para combater a pobreza. O raciocício é simples: se existem empreendedores nos países ricos, também devem existir nos países pobres; o que lhes falta é a oportunidade de exercer o seu espírito empreendedor. Um dos problemas é que as ferramentas que usamos no ocidente não são adequadas para esses pequenos empreendedores; elas custam caro, são complicadas e difíceis de manter, e na maioria dos casos não refletem a realidade de um país africano. Assim, a KickStart oferece algo parecido com "kits", de tecnologia simples, desenhados para resolver problemas específicos ligados à realidade da região assistida. Existem kits para prensar óleo de girassol, para bombeamento de água para irrigação, e para construção civil.
Usando um modelo de negócios baseado em soluções simples e baratas, a KickStart já conseguiu alavancar mais de 50.000 novos pequenos empreendimentos em países pobres como Tanzânia e Quênia. Os negócios gerados por essas empresas representam um percentual ainda pequeno, mas mensurável do PIB desses países.
Pergunta: Se esses números são possíveis em países que estão efetivamente muito mais atrasados do que o Brasil, o que seria possível fazer por aqui?
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5 de julho de 2007
Olha-olha-olha a água mineral
"Olha olha olha a água mineral
Especial
Você vai ficar legal!"
Uns dez anos atrás, li uma matéria que projetava o crescimento do consumo de água engarrafada como uma das grandes tendências de mercado. Na época, pensei, "mas porque a gente iria pagar por água se temos água filtrada de boa qualidade em casa"? Pois é. Dez anos se foram, e hoje, o mercado de água mineral é um dos mais cresce no mundo todo.
A lógica do mercado de água mineral é um tanto quanto discutível. Pagamos por um produto que custa quase nada na torneira. A qualidade não é tão diferente assim, pelo menos aqui em Uberlândia ou em Belo Horizonte - não posso dizer em outras cidades do Brasil. Para cada garrafinha de água chegar ao consumo, consumimos energia elétrica para engarrafar e refrigerar; combustível, para distribuir; e ainda poluimos o ambiente com milhões de garrafinhas.
O irônico nisso tudo é que eu sou pessoalmente um aficcionado por água com gás. Esse ano, na minha viagem de férias de janeiro, fiz questão de ir na fonte da água mineral em São Lourenço, só para beber água com gás direto na fonte (isso mesmo, já sai da fonte com as bolhinhas). Depois fui em Cambuquira, onde a água é ainda melhor, apesar do abandono da fonte. O que atrai nesses lugares, tanto quanto a pureza e o sabor da água, é a história por trás dela - coisa que a água engarrafada muitas vezes apenas "encena", criando marcas e nomes míticos para fontes que não tem o mesmo charme.
Os argumentos pró e contra a água engarrafada são muitos. Uns dizem que é indefensável pagar um real por algo que a natureza dá praticamente de graça, cujo custo vem quase que exclusivamente do processo de distribuição e marketing. Já outros argumentam que é uma substituição simples - se você tomasse uma Coca-cola, iria poluir o ambiente tanto quanto ou mais, e ainda iria fazer mal para a saúde. Optar pela água não representa custo adicional. Sei lá. É algo que de alguma forma incomoda, e que precisa ser melhor pensado.
p.s. Só depois de ter escrito esse post, fiquei sabendo de um protesto na Internet contra a Nestlé pela exploração predatória do parque das águas de São Lourenço. Mais lenha para por na fogueira.
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Marcadores: ecologia marketing
Atendente também é gente
Algumas idéias de marketing conseguem fugir totalmente do comum. Uma cadeia de fast food nos EUA bolou uma campanha muito legal: jogue uma mão de "papel, pedra e tesoura" com o caixa, e se você ganhar, tem um dólar de desconto.
O legal nem é o desconto. O legal é que você joga com o atendente, que geralmente é visto apenas como um robô, numa relação totalmente impessoal. De repente, um simples jogo torna a relação muito mais humana.
Levando a idéia adiante, o que podemos fazer, nas nossas empresas, para quebrar o gelo da mesma forma? Não é fácil imaginar algo tão eficaz como o jogo acima. Uma brincadeira mal pensada pode até depor contra a imagem da empresa. Mas vale a pena pensar nisso.
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Marcadores: marketing
2 de julho de 2007
A bolha e a utopia tecnológica
Poucas coisas caracterizam tão bem a vaidade e a ambição humana como a utopia tecnológica, o desejo de resolver todos os problemas através da tecnologia. A (melhor) ficção científica está cheia de exemplos de idéias tecnológicas maravilhosas (como a produção de tecidos humanos em laboratório) que dão errado (vide "Blade Runner").
A ficção científica clássica é idealista. Porém, vivemos agora em tempos egoístas. A revista Forbes elaborou uma lista de quinze coisas que você gostaria que alguém inventasse. Entre útil, o curioso e o ridículo, alguém sugeriu... uma bolha para que a pessoa possa viver dentro, sem contato com o ruído e a sujeira do ambiente externo. Não consigo imaginar idéia mais ridícula, mas o pior é perceber que tem gente influente (foi entrevistado pela Forbes!) que realmente quer viver desse jeito. Assim a humanidade vai longe...
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14 de junho de 2007
Menos!
Vivemos no mundo do "mais". Maior, mais rápido, mais eficiente, mais conectado. Vivo nesse tempo, e admito, sou viciado em trabalho. Fico até altas horas na frente do micro, lendo, estudando. Já liguei para meus colegas de trabalho as 11 da noite, pra saber se terminaram alguma coisa, ou como está a agenda de amanhã. Porém, agora, sinto que preciso reduzir esse ritmo.
Sinto falta do mundo do menos. Fazer menos coisas, mais devagar. Poder pensar melhor. Ter tempo para discutir com os amigos. Aliás - ter tempo de fazer amigos. Coisas que o ritmo alucinante da sociedade atual não permite. A sociedade quer "mais". O segredo do "menos" é saber viver com essa cobrança sem se deixar levar por ela.
Admito uma ponta de inveja das pessoas que conseguem viver no mundo do "mais" sem esforço aparente. Não estou falando daqueles workaholics famosos, que dormem 4 horas por noite, plugados em BlackBerry e tocando mil projetos ao mesmo tempo. Em geral, são pessoas que se tornam insuportáveis de conviver, pois não se conformam que as pessoas à sua volta não lhes sigam o ritmo obsessivo. Não se conformam que os outros possam ter metas menores do que aquelas que eles mesmos se impõem. Estou falando de gente que faz vários projetos sim, e contribui de forma significativa para a sociedade, mas que não faz nenhum alarde da produtividade insana. Gente que se dá o direito de tirar férias, de visitar amigos, de dormir até mais tarde. Será que elas, na verdade, dominaram o segredo do "menos"?
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11 de junho de 2007
F1, segurança e... YouTube
Sempre gostei de F1, assisto desde novinho. (Lá vai tempo). Um dos "prazeres proibidos" de assistir corridas é a chance de ver um acidente espetacular; é o tipo da coisa que dá uma curiosidade danada, mas que ninguém em são consciência jamais desejaria para qualquer pessoa.
Já vi vários acidentes na F1, sempre pela TV (nunca fui numa corrida apesar de sempre pensar nisso). Assisti, entre outros, o acidente que matou Ronnie Peterson nos anos 70, o acidente que matou Gilles Villeneuve, e o acidente que matou Ayrton Senna. Mas também vi o acidente do Burti em Spa, a capotada sensacional do Gugelmin em Paul Ricard, sem contar as dezenas (literalmente) de acidentes do Andrea De Cesaris. E fazia tempo que não se via um acidente grande "de verdade" na F1, até ontem. No GP do Canadá, aconteceu um acidente horroroso com o Robert Kubica, uma das boas promessas da nova geração de pilotos. O comentário do Niki Lauda foi sintomático - "no meu tempo uma batida dessa dava para matar o piloto duas vezes". Ou mais.
Agora, sabendo que tudo está bem com o polonês, começa a investigação das causas e de como um acidente dessa magnitude pode ser minimizado. A imagem oficial da TV não é boa, mas uma câmera localizada na arquibancada próxima "grampo" pegou uma imagem fantástica. Obviamente foi postado no YouTube. Selecionei algumas imagens, dá para analisar a trajetória do carro:
A batida foi do pior tipo possível, o carro "decolou" quando transitou da pista para a grama na área de escape. A câmera oficial dá a impressão que o carro "chapa" de frente no muro, o que obviamente não é verdade. Nota-se que o carro bate num ângulo de mais ou menos 45 graus, o que permite que um pouco da energia seja dissipada. Note que o carro também "trisca" o muro atrás do qual havia outro carro, mas felizmente não toca nele.
O mais impressionante é o resultado final. Um tornozelo quebrado e um baita susto. Palmas para a segurança dos carros modernos, mas também, palmas para o YouTube, que nos permite ver essas imagens exclusivas... sem ficar dependendo das redes de TV.
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Marcadores: acidente, f1, tecnologia
Blogando
Normalmente eu reservo o "blog principal" para idéias mais trabalhadas, e usava outros blogs para postar sobre outros assuntos. Acho que fazia isso por medo de perder a "identidade" do blog. No entanto, o que isso causa? Medo de postar qualquer coisa, e o blog vai ficando para trás.
Por isso, não se assustem se encontrarem posts mais aleatórios do que nunca no blog a partir de agora. Fica sendo meu blog e pronto.
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Marcadores: blogando
12 de abril de 2007
Subculturas
A Internet é cada vez mais um lugar diversificado. Este fenômeno se comprova a cada dia. A população original da Internet era predominantemente ligada ao meio acadêmico, e se comunicava em inglês. Quem não soubesse inglês, ficava de fora, ou era ativamente discriminado. Hoje o inglês ainda é considerado a lingua franca da Internet; porém, em termos absolutos, a situação se inverteu e a maioria dos usuários que só se comunica no seu próprio idioma. Quem só navega páginas em inglês pode estar perdendo tendências importantes.
O interessante é ver como esse fenômeno foi largamente ignorado. Nos anos 90, a elite da Internet temia que esta acabasse, vítima da fragmentação causada pelos provedores de conteúdo. Diga-se de passagem, sempre achei que as pessoas dão importância demais para os provedores de conteúdo. Mas lembrando Andy Warhol, a era dos 15 minutos de fama chegou. Blogs e YouTube são ferramentas para que cada um se faça ouvir. Em 2006, o "homem do ano" da revista Time foi... você. You. E no final das contas, quem está fragmentando a Internet não são as empresas, e muito menos os governos (que vem tentando exercer seu controle com cada vez mais força). São as pessoas.
Como toda transformação, a mudança da Internet "english only" para uma Internet realmente globalizada é lenta mas irresistível. O fenômeno só não é mais visível hoje devido à dificuldade que as empresas vem encontrando de capitalizar o potencial das comunidades. Cada comunidade representa uma subcultura, que se organiza de forma mais ou menos autônoma em torno de algum interesse comum. É a subcultura do Orkut (grande suficiente para ser vista da Lua), a subcultura do Kazaa, ou a subcultura dos oekakis (já havia ouvido falar disso?).
Falando o óbvio, a grande oportunidade está nas ferramentas que permitem que as pessoas consigam encontrar as coisas que realmente lhe interessam. Hoje é óbvio, mas não era em 1999, quando o Google foi fundado. Na época a grande onda eram os portais (olha aí a obsessão pelo provedor de conteúdo manifestada ao máximo). O principal motivo pelos quais os portais falharam foi a sua incapacidade de se adequar às reais necessidades das pessoais, de entender as subculturas da Internet.
No fundo, não estamos vendo nada de novo. Há quem ache que a massificação é um fenômeno recente; no entanto, a história mostra que ela é um fenômeno social cíclico. A massificação não escala tão bem como muita gente imagina. Todos os grandes movimentos sociais da história foram seguidos de fragmentação. Por isso, achar que as ferramentas de comunicação em massa permitiriam uniformizar o consumo ad infinitum é um grande engano. Dentro de uma massa uniforme, as pequenas diferenças logo se destacam, atingem massa crítica, e levam ao surgimento de subgrupos e subculturas. Com o tempo a diferença se torna tão grande a ponto de se tornar incontrolável. A Internet é apenas mais um meio para que essa propriedade intrínseca dos grupos sociais se manifeste. Por isso, sejamos todos bem vindos à nossa, à sua, à nova Internet.
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12 de março de 2007
A irresistível sede de comunicação
O que nos faz humanos? O que nos faz diferentes de tantas outras formas de vida? Uns dizem que é a consciência. Outros dizem que é a presença da alma. Outros dizem que é a linguagem. Qualquer que seja a resposta, o fato é que o ser humano tem uma sede irresistível por comunicação, com o mundo e com seus semelhantes. Nesse contexto, a Internet é apenas mais um meio de comunicação, em uma lista que se estende desde os primeiros rituais pré-históricos, passando pela invenção da palavra falada, até o mundo moderno. Somos ainda os mesmos animais tribais. Temos sede de nos relacionar.
O curioso é que esta sede, de tão onipresente, passa muitas vezes despercebida. Empresários, engenheiros e marqueteiros investem incontáveis horas criando novos modelos de negócio em telecomunicações. Muitos desses modelos se centram em outras necessidades do ser humano. O desejo de status; a busca do entretenimento, da diversão; a necessidade de informação. Porém, nessa busca, a necessidade primária do ser humano é muitas vezes relegada a segundo plano.
Acho curioso ver empresas de telecomunicações e tecnologia investindo milhões para desenvolver novos negócios, envolvendo mídia digital, quando o próprio negócio de comunicação inter-pessoal ainda poderia render muitos dividendos. Acho que é um pouco como aquela história do patrício que perdeu as chaves no meio da rua e estava procurando debaixo do poste, porque lá tinha mais luz. Pensar no negócio de conteúdo é tentador porque envolve glamour, envolve status, e também porque é aparentemente mais simples, porque toda comunicação é unilateral. A indústria de Hollywood é a luz embaixo do poste.
Pensar no negócio da comunicação inter-pessoal é mais complicado, e também mais arriscado. Não há como controlar o conteúdo envolvido. A mesma rede que usamos para conversar com nossos parentes distantes sustenta a Al Qaeda. Porém, a sede de comunicação do ser humano é inextinguível.
Fica portanto uma idéia para as operadoras de telecomunicações: esqueçam o conteúdo. Pensem nos seus usuários. Pensem no que eles precisam para se comunicar. Tornem a experiência agradável. Tornem os sistemas convenientes de usar. Facilitem a vida das pessoas. Deixem que elas encontrem-se umas às outras. Permita a elas que multipliquem sua rede de relacionamento. Elas vão se comunicar, como tem feito desde que o homem veio ao mundo. O efeito de rede será avassalador.
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Marcadores: mídia digital, negócios, telecomunicações
29 de novembro de 2006
Ciência divertida
Uma das minhas melhores memórias de infância é dos kits de ciências que eu ganhei, lá por volta dos meus dez, onze anos de idade. Pois é - eu já era 'nerd' naquela época! Havia um kit de uma enciclopédia, não me lembro o nome agora, que vinha com experiências interessantíssimas de química, magnetismo, eletricidade (com bobinas, motores, etc.), eletricidade estática...
Passado um bom tempo, há poucos anos atrás - em 2002 - visitei um museu de ciências em St Louis, EUA. Achei fantástico como eles conseguiam demonstrar conceitos científicos avançados com kits siomples, fáceis de entender, e muito acessíveis. Cheguei a pensar na idéia de investir um pouco do meu tempo para montar alguns kits e fazer demonstrações em escolas públicas para crianças carentes, de forma a despertar nelas a curiosidade pelo mundo natural. Mas infelizmente, esta é uma idéia que ainda está só na intenção.
Hoje existem muitas formas interessantes de se fazer ciência divertida, mas mesmo assim muito educativa. Alguns sites se especializam em divulgar brinquedos científicos. Há empresas que se especializam em vender produtos antes impensáveis, como supermagnetos, do tipo que deixa até os MythBusters de queixo caído. Esses ímãs de metais raros, como Neodímio, possuem força suficiente para mover objetos a distâncias maiores do que se imagina, e precisam ser manipulados com cuidado para evitar acidentes graves. Por outro lado, eles são capazes de efeitos magnéticos inacreditáveis.
Já existe no mercado brasileiro um brinquedo com esferas magnéticas para construir figuras. Imagino que não sejam tão fortes como os citados acima, mas devem ser bastante divertidos. Depois de ver isso tudo, fiquei mais animado a comprar algumas esferinhas para ver como funciona!
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