O que nos faz humanos? O que nos faz diferentes de tantas outras formas de vida? Uns dizem que é a consciência. Outros dizem que é a presença da alma. Outros dizem que é a linguagem. Qualquer que seja a resposta, o fato é que o ser humano tem uma sede irresistível por comunicação, com o mundo e com seus semelhantes. Nesse contexto, a Internet é apenas mais um meio de comunicação, em uma lista que se estende desde os primeiros rituais pré-históricos, passando pela invenção da palavra falada, até o mundo moderno. Somos ainda os mesmos animais tribais. Temos sede de nos relacionar.
O curioso é que esta sede, de tão onipresente, passa muitas vezes despercebida. Empresários, engenheiros e marqueteiros investem incontáveis horas criando novos modelos de negócio em telecomunicações. Muitos desses modelos se centram em outras necessidades do ser humano. O desejo de status; a busca do entretenimento, da diversão; a necessidade de informação. Porém, nessa busca, a necessidade primária do ser humano é muitas vezes relegada a segundo plano.
Acho curioso ver empresas de telecomunicações e tecnologia investindo milhões para desenvolver novos negócios, envolvendo mídia digital, quando o próprio negócio de comunicação inter-pessoal ainda poderia render muitos dividendos. Acho que é um pouco como aquela história do patrício que perdeu as chaves no meio da rua e estava procurando debaixo do poste, porque lá tinha mais luz. Pensar no negócio de conteúdo é tentador porque envolve glamour, envolve status, e também porque é aparentemente mais simples, porque toda comunicação é unilateral. A indústria de Hollywood é a luz embaixo do poste.
Pensar no negócio da comunicação inter-pessoal é mais complicado, e também mais arriscado. Não há como controlar o conteúdo envolvido. A mesma rede que usamos para conversar com nossos parentes distantes sustenta a Al Qaeda. Porém, a sede de comunicação do ser humano é inextinguível.
Fica portanto uma idéia para as operadoras de telecomunicações: esqueçam o conteúdo. Pensem nos seus usuários. Pensem no que eles precisam para se comunicar. Tornem a experiência agradável. Tornem os sistemas convenientes de usar. Facilitem a vida das pessoas. Deixem que elas encontrem-se umas às outras. Permita a elas que multipliquem sua rede de relacionamento. Elas vão se comunicar, como tem feito desde que o homem veio ao mundo. O efeito de rede será avassalador.
12 de março de 2007
A irresistível sede de comunicação
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Marcadores: mídia digital, negócios, telecomunicações
29 de novembro de 2006
Ciência divertida
Uma das minhas melhores memórias de infância é dos kits de ciências que eu ganhei, lá por volta dos meus dez, onze anos de idade. Pois é - eu já era 'nerd' naquela época! Havia um kit de uma enciclopédia, não me lembro o nome agora, que vinha com experiências interessantíssimas de química, magnetismo, eletricidade (com bobinas, motores, etc.), eletricidade estática...
Passado um bom tempo, há poucos anos atrás - em 2002 - visitei um museu de ciências em St Louis, EUA. Achei fantástico como eles conseguiam demonstrar conceitos científicos avançados com kits siomples, fáceis de entender, e muito acessíveis. Cheguei a pensar na idéia de investir um pouco do meu tempo para montar alguns kits e fazer demonstrações em escolas públicas para crianças carentes, de forma a despertar nelas a curiosidade pelo mundo natural. Mas infelizmente, esta é uma idéia que ainda está só na intenção.
Hoje existem muitas formas interessantes de se fazer ciência divertida, mas mesmo assim muito educativa. Alguns sites se especializam em divulgar brinquedos científicos. Há empresas que se especializam em vender produtos antes impensáveis, como supermagnetos, do tipo que deixa até os MythBusters de queixo caído. Esses ímãs de metais raros, como Neodímio, possuem força suficiente para mover objetos a distâncias maiores do que se imagina, e precisam ser manipulados com cuidado para evitar acidentes graves. Por outro lado, eles são capazes de efeitos magnéticos inacreditáveis.
Já existe no mercado brasileiro um brinquedo com esferas magnéticas para construir figuras. Imagino que não sejam tão fortes como os citados acima, mas devem ser bastante divertidos. Depois de ver isso tudo, fiquei mais animado a comprar algumas esferinhas para ver como funciona!
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22 de novembro de 2006
Tecnologia para todos
O que falta para que a tecnologia da informação possa estar ao alcance de todos? Segundo Jakob Nielsen, um dos "papas" da usabilidade, existem três níveis de isolamento digital a serem vencidos:
- Isolamento econômico
- Dificuldade de uso
- Falta de envolvimento pessoal
A dificuldade de uso já é um ponto mais complicado. Sabe-se hoje como desenhar produtos fáceis de serem usados; porém, porque isso não acontece? Apesar de todos os avanços da tecnologia, ainda parece haver um prazer perverso em ignorar a demanda dos usuários comuns. O Joel Spolsky escreveu recentemente sobre isso, criticando as nove opções para desligar o Windows Vista, enquanto um produto bem sucedido como o iPod não tem botão liga-desliga (graças a uma decisão pessoal do Steven Jobs!). Há também sites na Web mal organizados, programas que parecem ter sido feitos para torturar seus usuários, menus de auto-atendimento telefônico que deixam os usuários desesperados para conversar com um ser humano.
Uma das explicações é a dificuldade que os engenheiros tem em entender a diferença entre o que as pessoas acham que querem e o que elas realmente querem. Em resumo, se você perguntar para qualquer pessoa, ela listará inúmeros recursos que deseja em um produto. Ao juntar tudo que todo mundo quer, o resultado fica inevitavelmente confuso, e não agrada a ninguém. Encontrar o meio-termo é um processo complexo - há quem diga provocativamente que não se deve ouvir o cliente - mas é isso que diferencia o design de alguns poucos produtos entre tantos disponíveis no mercado.
O último nível de isolamento é a falta de envolvimento pessoal. Esse é, segundo o Nielsen, o mais complicado de todos. Em um mundo de possibilidades infinitas, apenas uma pequena fração das pessoas colabora efetivamente. A falta de envolvimento é um fenômeno difícil de reverter, porque está enraizado no comportamento individual. Se uma fatia maior da humanidade se envolvesse, o potencial multiplicador da Internet poderia se realizar em sua plenitude. É um problema que com certeza ainda atravessará gerações e só será superado através da educação através de novos paradigmas.
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21 de novembro de 2006
A verdadeira história do iPod
Li hoje um artigo na Wired sobre a história do iPod. Entre os pontos altos do artigo, dois chamam a atenção: o relato da experiência do autor do artigo ao apresentar o primeiro iPod diretamente para Bill Gates, em um jantar ocorrido no mesmo dia em que o iPod era lançado; e a visão de Steven Jobs, que acredita que o iPod resume com perfeição a meta da Apple como empresa, pois funde "tecnologia, facilidade de uso, e um design impressionante". Vale a leitura!
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Um teclado para lá de interativo
Há poucos dias, estava discutindo com amigos as possibilidades das futuras interfaces de usuário para PCs. Aqui no blog, apontei duas dessas possibilidades, que são os monitores de grandes dimensões e as ferramentas digitais wireless para interagir com o display, atuando como legítimas ferramentas manuais, só que sobre um meio digital.
Nessa conversa, surgiu também uma idéia incipiente, mas que me pareceu pouco praticável na hora: ter um display LCD horizontal à disposição, que poderia funcionar como um "tablet" interativo ou como teclado sensível ao toque. O problema desse design é a falta de "feedback mecânico", ou seja, daquela sensação de que algo se moveu com a pressão dos dedos. Mesmo em um mundo digital, ainda temos que respeitar essa necessidade humana pela realidade física, que faz prever que elementos como o teclado ainda vão estar presentes por um bom tempo nos nossos PCs.
Assim, pensando nessas possibilidades, fiquei surpreendido ao ver o projeto do
teclado Optimus. É um produto absolutamente surpreendente - um teclado que possui pequenos "displays" LCDs debaixo de cada tecla, de forma que os símbolos que são "escritos" em cada tecla podem ser reconfigurados dinamicamente. A idéia é excepcional, pois permite avançar e muito no grau de interatividade que o teclado oferece como interface de usuário. Por exemplo, programas que oferecem um grande número de "atalhos" podem tratar o teclado como uma "toolbar" dinâmica; ao pressionar a tecla CTRL, por exemplo, as teclas podem exibir os ícones das ferramentas ativas para cada tecla.
Hoje em dia, esse tipo de tecnologia ainda é muito cara - o teclado está saindo por cerca de US$ 400. Mas não há nada que impeça a popularização dessa idéia, a um custo muito mais acessível a curto prazo. E mais: independente da viabilidade dessa idéia em particular, é fabuloso pensar até que ponto a inventividade ainda pode nos surpreender, trazendo desenhos absolutamente inovadores mesmo para algo tão antigo como o tradicional teclado.
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13 de novembro de 2006
A próxima revolução da informática
Desde a introdução do PC - há vinte e cinco anos - a indústria da informática serviu como alavanca para um desenvolvimento sem precedentes na história. Além da indústria em si, o computador serve como ferramenta para alavancar outros setores do conhecimento humano, gerando cada vez mais desenvolvimento. Hoje em dia, há quem acredite que a próxima revolução da humanidade virá por meio de uma nova tecnologia. Há vários candidatos, como a engenharia genética, a biotecnologia, os nanorobôs, a ciência dos materiais exóticos, entre tantos outros. Porém, acredito que a maior alavanca ainda continuará com o setor de informática. Uma segunda revolução, de maior impacto do que a primeira, se aproxima.
Nos próximos 25 anos, veremos ganhos de produtividade ainda maiores. Ainda não arranhamos o potencial multiplicador da Internet. A interação hoje ainda se restringe às conversas, via email, chat, MSN, ou VoIP. O grande ganho ocorrerá com o amadurecimento de um modelo viável para aplicações interativas multiusuário na rede. Some-se a isso uma nova revolução na maneira de construir computadores, e mais ainda, de interagir com eles. Os primeiros passos nesse sentido ainda são rudimentares: chips "multicore", aplicações Web, e por aí vai. Porém, assim como o PC original e seus predecessores pavimentaram o caminho para a popularização da informática, essas novas idéias estão hoje funcionando como terreno fértil para novas experiências de potencial imenso.
Alguns avanços são fáceis de prever. A tecnologia sem fios deve continuar crescendo, viabilizando a famosa "computação ubíqua", onde dispositivos informatizados farão parte de nosso dia a dia, trocando informações sem contato físico. A fronteira entre documentos e aplicações se tornará cada vez mais tênue. Serão todos objetos, vivendo na rede, permitindo a interação paralela de várias pessoas, oferecendo um campo sem precedentes para o trabalho colaborativo.
A riqueza da experiência física, que é inerente ao ser humano, será enriquecida nesse novo mundo virtual. Novas interfaces visuais, aproveitando monitores de grandes dimensões (30 polegadas ou mais) irão transformar o acanhado "desktop" em uma legítima mesa de trabalho. Ferramentas manuais irão interagir nesse espaço de trabalho; assim, ao invés de clicar em um pincel para fazer um traço, vamos pegar um pincel 'wireless' e passar sobre a tela, obtendo o efeito desejado com todas as sutilezas do movimento. No outro extremo, dispositivos móveis irão nos acompanhar, ajudando a organizar a informação que nos cerca.
Para que tudo isso se torne realidade, muita coisa ainda precisa acontecer. Algumas ainda estão nos laboratórios das grandes corporações mundiais. Outras idéias estão na cabeça de criadores solitários, esperando o momento certo para serem implementadas. Outras tantas ainda estão por nascer, aguardando as condições ideais para seu surgimento. O importante, nesse momento, é ter a percepção do futuro brilhante que nos aguarda, e trabalhar para participar da sua construção. É essa percepção que me anima; e é o sonho de participar desse futuro que me leva adiante.
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4 de novembro de 2006
A falácia do anonimato e o futuro da identidade digital
Uma das grandes novidades da Internet, como meio de interação social, foi a possibilidade de anonimato, tida pelos defensores da privacidade individual como uma grande conquista. Porém, esse mesmo anonimato serve para acobertar atividades ilícitas, ilegais, ou simplesmente inconvenientes. Discute-se hoje como o mau comportamento online está inviabilizando o anonimato. Na Coréia, o problema tem atingido grandes proporções, e alguns ISPs pressionam o governo para proibir os 'brigões' de acessar a Internet. Aqui no Brasil, a discussão está centrada no Orkut, com inúmeros processos na justiça correndo para retirar perfis difamatórios, comunidades difamatórias, ou comunidades com conteúdo ilegal.
Brigas à parte, a situação revela o quanto ainda falta caminhar para implantar um conceito razoável de identidade digital na Internet. Os críticos mais ferrenhos da identidade digital a vêem como um passo inevitável em direção do Big Brother. Outros apontam a necessidade de meios confiáveis de certificar a identidade do indivíduo, não apenas para transações comerciais, mas como um meio de afirmação da sua individualidade. O certo é que a identidade digital, quando mal utilizada, tem um potencial de destruir o próprio conceito de privacidade.
Entendo que a privacidade é um bem a ser preservado; porém, em nome da segurança, o valor do anonimato precisa ser corretamente avaliado. Na sociedade "real", é possível agir anonimamente; porém isso é complicado, ou no mínimo inconveniente, o que oferece um certo nível de equilíbrio entre a liberdade individual e a segurança coletiva. Já na sociedade virtual, é muito fácil agir anonimamente. Esta facilidade encoraja a formação de grupos com idéias destrutivas, e dificulta seu rastreamento, levando a problemas como os que estamos vivendo agora.
A chave do processo está em encontrar mecanismos que desencorajem o anonimato. No entanto, soluções excessivamente rigorosas podem ter o efeito contrário, tornando a vida online inconveniente (pela quantidade de controles envolvidos), ou até mesmo perigosa, pelo risco da monitoração constante. Por isso, o equilíbrio é fundamental. Não acredito que a humanidade vá se permitir chegar ao nível do Big Brother, com a perda completa da liberdade individual; acredito sim que chegaremos a um ponto onde poderemos controlar o grau de exposição pessoal, em troca de maior ou menor conveniência, atingindo assim um equilíbrio entre a privacidade individual e a segurança coletiva.
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28 de outubro de 2006
Mantendo referências
Um vídeo com o Jack Black postado no YouTube me levou ao Shifting Baselines, uma iniciativa que propõe uma visão mais firme sobre a questão do impacto ambiental. Apesar de ligada ao surfe, como esporte e como iniciativa de vida, a proposta vai muito mais longe do que isso, e pode ser aplicada de forma geral a qualquer tipo de ambiente.
O que é um shifting baseline? É a perda de referência, causada pela mudança lenta de alguma coisa. Pode ser algo sem maior impacto, como achar normal a ritmo de um jogo de futebol hoje em dia (antigamente era muito mais lento). Mas pode ser também o fato de não notarmos mais a degradação do meio ambiente à nossa volta.
O site tem vídeos que colocam qualquer um para pensar. Um deles mostra um vídeo do fundo do mar. Maravilhoso, diria qualquer pessoa... mas depois o mesmo vídeo é mostrado... com peixes! A mensagem é simples: antigamente, haviam muito mais peixes no mesmo lugar. Os peixes vem sumindo lentamente... e nós perdemos a perspectiva. Continuamos achando o lugar lindo para mergulhar, sem perceber o quanto já foi destruído.
A proposta da organização é simples: vamos nos manter alertas para as mudanças lentas, de forma que nossa referência não mude. Não basta evitar entrar na água poluída, é preciso lembrar que antigamente era não era poluída! Somente mantendo nossa referências íntegras podemos obter resultados reais. O mesmo vale para outras experiências - por exemplo, a correria do dia a dia, o trânsito, a violência urbana, a qualidade do ensino, ou a limpeza das ruas. É preciso ter uma referência correta, ao invés de simplesmente achar normal qualquer degradação ambiental, ou cultural, ao nosso redor.
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23 de fevereiro de 2006
Vida plena
Há gente que gosta de curtir o tempo, ver ele passar. Há quem prefira não fazer nada. Há também quem fique estressado pelo simples fato de parar para respirar, como se fosse preciso viver cada segundo em um ritmo acelerado.
Durante um bom tempo, fui um desses estressados natos. A idéia de ficar à toa me aflige. Ainda acho que o tempo que vivemos é muito valioso para ser desperdiçado. Porém, o tempo traz um pouco sabedoria para entender que correr nem sempre é viver. Há valor, e muita vida, em pequenos momentos de tranquilidade. Há o ócio criativo, aquele que nos permite alçar vôos mais altos. Também há que fazer opções. Nem tudo é possível, somos todos limitados.
O tempo é um só, e não adianta quer ser tudo, ou fazer tudo. Há que se contentar com muita coisa. Com coisas que os outros fizeram, e que achamos que poderíamos ter feito melhor. Com coisas que nunca vamos poder fazer, seja porque não temos competência, seja porque não temos condições materiais, seja porque temos que fazer opções e alguma coisa acaba tendo que ser deixada para trás.
Em resumo, é necessário entender que uma vida plena exige equilíbrio. Significa viver sem se queimar, fazer a diferença dentro do possível. A ansiedade deve ser substituída não pela resignação conformista, mas pela admiração frente a um mundo que é muito maior do que nós, e pela humildade de desempenhar papéis pequenos e cumprir com dedicação a parte que nos cabe.
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17 de janeiro de 2006
Liderança silenciosa
'Leading Quietly' é um livro sobre liderança diferente dos outros. A grande maioria dos livros escritos sobre liderança foca os 'grandes líderes', pessoas que mudaram o mundo. O autor chama a atenção para o engano que se comete; para cada grande líder, há inúmeras pessoas que simplesmente querem 'fazer a coisa certa', exercendo liderança de forma quieta e sutil. Estas pessoas não tem sobre si os holofotes da fama, mas nem por isso são menos efetivas. Pelo contrário -- elas são essenciais, e são elas que dão o suporte necessário aos grandes líderes.
Outro ponto positivo do livro é que ele não se apresenta como um guia rápido, estilo 'auto ajuda'. É um material para ser lido e pensado. O estilo de escrita é agradável, o que facilita o trabalho. Cada capítulo discute um princípio básico:
- Seja realista
- Confie na combinação de motivos (éticos... e egoístas)
- Ganhe tempo
- Invista com sabedoria
- Vá fundo no problema
- Contorne (não quebre) as regras
- Ajuste, teste e escale gradualmente
- Monte uma solução de compromisso
- Observar três virtudes silenciosas: comedimento, modéstia e tenacidade.
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4 de novembro de 2005
O problema é de comunicação
Minhas últimas conversas de boteco só confirmaram para mim o que já vinha suspeitando. O grande problema do mundo corporativo é a comunicação. Comunicação humana, digo. As pessoas não sabe explicar o que querem, não conseguem comunicar o que pensam. Não sabem organizar suas idéias, não sabem escrever. Não sabem ler. Não sabem ouvir.
Acredito que a raiz de tudo está na preguiça de ler e escutar. As pessoas aprendem pelo exemplo. Sem leitura não se desenvolve a capacidade de escrever. Sem escrever e sem escutar as idéias dos outros, ninguém aprende a organizar as próprias idéias. Por isso, os negócios sofrem. São atividades mal feitas, projetos inacabados, e pessoas que simplesmente não se envolvem com a solução dos problemas porque, entre outras coisas, isso exige capacidade de comunicação. Capacidade de conversar com o cliente; capacidade de conversar com o chefe para convencê-lo de que algo deve (ou não deve) ser feito; capacidade de vender o peixe.
Tem quem acredite que o mundo é dos espertos, ou dos vendedores. De certa forma é, porque justamente estas pessoas tem o que falta a outras. Não adianta ser competente, se você não se faz entender. Pior ainda, não adianta ser competente se você não procura entender o que te pedem. Por isso, quem reclama de não ter chances poderia olhar para si mesmo, e perguntar: será que eu sei me comunicar? será que estou ouvindo e falando na medida certa? A resposta talvez desagrade.
Errata: falando em dificuldade de comunicação, a primeira edição deste artigo tinha alguns erros simples, incluindo uma frase duplicada, pelos quais peço desculpas...
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10 de outubro de 2005
Quadrinhos
Durante um bom tempo, fui fã de quadrinhos. Quando era criança, ler gibis era coisa normal, comum: Turma da Mônica, Pato Donald (as histórias da série do Superpato eram o máximo!), e outros. Depois, me interessei por histórias diferenciadas, como a série Asterix, com um humor um pouco mais sofisticado. Mas houve uma fase que eu achei particularmente interessante, que me leva ao blog de hoje.
No fim dos anos 80, começaram a surgir no Brasil as chamadas "Graphic Novels". Eram um produto diferenciado para a época. Ao invés da impressão em papel de terceira categoria, papéis especiais, e tintas fortes. Foi quando mestres como Frank Miller, Alan Moore, e Bill Sienkiewiks ficaram conhecidos. Na época, fiquei fascinado pelo traço dos artistas, e pela forma contavam histórias: com profundidade, com complexidade, com uma perspectiva humana. Ao longo dos anos 90, a influência desses artistas se expandiu para o cinema. Nos anos 60, os filmes e seriados de super herói ganharam uma aura kitsch que quase custou a eles todo seu espaço de mercado, graças a produções como o famoso Batman da TV. Mas nesta nova fase, os filmes de super heróis ganharam uma nova vida, e não foi só por causa dos efeitos gráficos melhores, mas principalmente pelas histórias mais sólidas. Se hoje temos Homem Aranha (1 e 2), Quarteto Fantástico e X-Men, é em grande parte graças a estes artistas que revitalizaram os quadrinhos. Mesmo hoje -- Sin City (do mesmo Frank Miller que reinventou o Batman) é um dos grandes sucessos de crítica este ano, e V de Vingança (V for Vendetta no original em inglês) é aguardado com grande expectativa para 2006.
Semana passada, depois de muitos anos sem ler quadrinhos, sem nenhum motivo em particular, fiquei folheando as revistas em uma banca. Várias das histórias que eu mais gostei foram reeditadas - caso de Watchmen, que ficou marcada por uma frase forte ("quem vigia os vigilantes?"), e que incidentalmente é a referência fundamental para o ótimo "Os Incríveis", da Pixa; e o Cavaleiro das Trevas, que é uma grande leitura até nos dias de hoje. Na banca, senti um pouco o excesso de oferta, principalmente pela grande quantidade de mangás de qualidade duvidosa, assim como as histórias bem desenhadas, mas sem o mesmo conteúdo forte da fase áurea das Graphic Novels. Suspeito que naquela época de mercado embrionário, somente as melhoras obras mereciam uma aposta na publicação. Hoje o mercado amadureceu, e esse tipo de HQ já tem público cativo no Brasil. Mas que fica mais difícil garimpar as gemas legítimas em uma banca, isso fica.
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5 de outubro de 2005
Um ano ou cinco
"Some people seem to think that we got where we are overnight. Not so. I've been doing Linux for 15 years, and hey, if it takes another 5 or 10 for the desktop to be a big part of the market, that's what it will take." Business Week: Torvalds' Baby Comes of AgeJá ouvi dizer, não me lembro exatamente de quem, que nós temos uma tendência a superestimar o que podemos fazer em um ano, enquanto subestimamos o que podemos fazer em cinco. O resultado é ruim: ansiedade em tentar fazer o impossível, frustração por não atingir as metas de curto prazo. Deveríamos viver mais lentamente, entendendo que o tempo capitaliza as mudanças de uma forma progressiva; assim chegaríamos mais longe.
A frase do Linus Torvalds sumariza bem este pensamento. Todo ano é tido como 'o ano do Linux'. No fim do ano, analistas comentam que apesar das melhorias, o Linux ainda não emplacou. Falta pensar no longo prazo. Se olharmos as estatísticas, a cada ano a fatia de mercado do Linux aumenta. Pra quê ficar ansioso, e querer dominar o mercado em um ano? Se é para demorar cinco, ou dez, que seja assim. Pena que seja tão difícil entender as coisas dessa forma.
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2 de outubro de 2005
Cinema, plebiscito, e a falácia do consenso
Li hoje que a indústria de Holywood finalmente começou a admitir que a queda de faturamento que ocorreu este ano não se deve à alta do petróleo ou o terrorismo internacional, mas sim porque os filmes eram ruins mesmo. E eram, isso é fato. O artigo também comenta que o conservadorismo dos estúdios faz com que filmes independentes, que assumem maiores riscos, pareçam bons em comparação.
Esta história me leva a pensar em outra relacionada: até que ponto dá para acreditar na opinião das pessoas? Em outras palavras, será que as pessoas sabem realmente o que querem? Eu sinceramente duvido. Em um teste de audiência, imagino que muita gente possa considerar o final de um filme ruim, pedindo uma mudança -- um final feliz, por exemplo. Mas este mesmo final feliz pode tirar toda a graça da história; ironicamente, na intenção de agradar, o filme pode acabar se tornando um fracasso.
Acho que muitas vezes, nós precisamos ser provocados. Precisamos da polêmica, precisamos discordar. Ao tentar agradar a todos, a indústria do cinema consegue apenas se tornar asséptica e sem sabor. Mas será que ela é a única a fazer isso? Suspeito que não. A busca do consenso é uma das grandes falácias da democracia (segundo Churchill, o pior sistema de governo que existe excetuando todos os outros). Não há muita opção, é verdade, mas o risco existe.
Todo este argumento nos leva ao plebiscito sobre a proibição de venda de armas. Não sei se este plebiscito é uma boa idéia. Ao forçar uma decisão, cria-se uma polarização total, cujo resultado pode ser imprevisível. Se a possibilidade da venda de armas for mantida, podemos começar a viver uma nova era, incluindo aí a possibilidade de marketing de armas, e até de uma 'corrida às armas' caseiras. A . Já o voto no 'sim' também oculta riscos semelhantes; que o desarmamento seja acelerado em um país que hoje ainda não oferece as condições de segurança para que ele seja levado às últimas consequências. O pior é que, qualquer que seja o resultado, vai ficar a dúvida: será que as pessoas sabem realmente o que querem?
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22 de setembro de 2005
A verdadeira revolução de VoIP está por vir
Em tecnologia, o tempo é sempre difícil de avaliar. É fácil ficar entusiasmado com uma nova idéia e imaginar que ela vai tomar o mundo em um ano. No mundo real, o ciclo de adoção é muito mais lento. Muitas boas idéias são dadas como mortas, pois demoram um pouco para amadurecer, e reaparecem anos depois.
Este é o caso da tecnologia de VoIP. Talvez poucos se lembrem (ou saibam) mas lá pelo idos de 1996, um programinha chamado "CUSeeMe" era muito popular entre os pioneiros da Net. Era um programa de videoconferência baseada em IP, que rodava em hardware modesto para os padrões atuais. COmo quase ninguém tinha câmara, era comum usar o CUSeeMe para conversar com outras pessoas, só com áudio, sem vídeo. Na i2 -- empresa da qual eu era sócio na época -- chegamos a brincar um pouco com ele. O Wallace, que era da nossa área comercial, uma vez teve um encontro ocasional na Internet com ninguém menos que o Galvão Bueno. Ele estava no Projac (estúdio da Globo), e havia sido apresentado naquele dia à então "novidade tecnológica", que já chamava atenção de muita gente.
Muitos viram logo de cara o potencial da tecnologia, pensando que em pouco tempo -- um ano, dois anos? -- ela estaria disponível para todo mundo. Obviamente, as coisas não aconteceram desta forma. Havia muito que ser feito para chegar no ponto de amadurecimento da tecnologia. Inovações no hardware, software de melhor qualidade, acesso Internet banda larga, e por aí vai. Passados nove anos, a tecnologia de VoIP parece pronta para tomar o mercado de assalto. O uso de VoIP para economizar em interurbanos está crescendo rapidamente. Mas ainda falta uma coisa, que está para chegar rapidamente, e que vai tornar realidade o sonho da telefonia IP chegando até o ponto final, que é o aparelho do usuário.
Mobilidade. Hoje, o celular já toma o espaço da telefonia fixa. O custo de um ponto de telefone fixo é baixo; o custo do telefone móvel nem tanto. Para uma empresa, não parece muito atrativo trocar um telefone fixo convencional por outro telefone fixo baseado em IP. A economia de VoIP pode ser obtida de forma mais econômica com os gateways instalados nos troncos. Mas com mobilidade, a coisa muda de figura. E é a aí que a tecnologia de WiFi entra para arrebentar.
Hoje, um telefone IP sem fio (usando WiFi) custa em torno de US$ 200,00. Quando este preço romper a barreira mágica dos US$ 100,00, o mercado vai explodir. Um telefone IP sem fio será uma verdadeira revolução na vida das empresas, liberando seus funcionários dos limites de sua mesa para circular dentro da empresa -- e porque não, para qualquer outro lugar que tenha cobertura WiFi. É claro que ainda há desafios técnicos para superar. Mas neste momento, eles parecem pequenos, porque os outros dois fatores críticos para adoção de uma tecnologia (econômico e cultural) já estarão resolvidos automaticamente. É então que a verdadeira revolução de VoIP vai acontecer.
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21 de setembro de 2005
O tamanho ideal
Você acha que uma operadora de telecom deva ter conteúdo próprio? Tenho minhas dúvidas. Por trás desta pergunta, há uma série de premissas comuns no mundo corporativo:
- A empresa precisa ter controle do cliente;
- A empresa deve explorar todas oportunidades de negócio com o cliente;
- A empresa deve se antecipar às necessidades do cliente...
Isoladamente, não há nada demais com estas premissas; mas quando aplicadas em conjunto, elas levam ao gigantismo, e consequentemente, a um nível de ineficiência que consome toda economia de escala que uma grande empresa poderia obter. A empresa perde o foco, e deixa de pensar em atender o seu cliente; a manutenção do status quo se torna o seu objetivo máximo.
Porque é tão difícil para uma empresa se manter no tamanho ideal? Uma das razões é a necessidade de manter o crescimento, especialmente para empresas de capital aberto. Outro motivo é o fato de ser muito difícil tomar decisões difíceis, especialmente de enxugamento. No caso das operadoras, o pânico se explica pelo temor de que o seu modelo de negócio não parece ser sustentável a longo prazo. Na telefonia fixa, a concorrência de tecnologias como WiFi e VoIP é um problema real. No mercado de telefonia móvel, há uma queda forte na receita por assinante; o retorno está vindo com o negócio de conteúdo: jogos, torpedos e principalmente a venda de ringtones.
Estes resultados sugerem que o negócio de conteúdo é essencial para a sobrevivência das empresas de telefonia. Mas eu discordo. Penso que o mercado seria muito melhor servido se as empresas de telecom focassem seus esforços em serem boas naquilo que fazem bem: fornecer a infraestrutura de comunicação. Se as margens não são aquilo que costumavam ser, ou se a empresa não é mais tão rentável, a resposta correta não é expandir procurando novos negócios -- é cortar custos e administrar melhor, trabalhando com maior eficiência. A mesma tecnologia que ameaça as empresas está aí para serví-la, abrindo novas frentes de negócio. Basta ter a coragem necessária para enfrentar os fatos, e se adequar à nova realidade que já se impõe.
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20 de setembro de 2005
Confrontando os fatos
Sempre tive uma grande admiração por pessoas que demonstram liderança sem excessos ou autoritarismo. Um dos meu exemplos prediletos é o explorador irlandês Ernest Shackleton, que ficou famoso pela incrível história do Endurance -- o navio que, sob seu comando, ficou preso no gelo da Antártida. Shackleton conseguiu um feito impressionante: mesmo perdendo o navio, manteve a tripulação coesa e conseguiu retornar após 22 meses para a Inglaterra sem perder nenhum homem.
Outro exemplo fascinante é James "Jim" Stockdale, comandante da marinha americana que ficou preso por oito anos durante o auge da Guerra do Vietnã. A sua história é repleta de casos de uma resistência estóica, e de uma liderança capaz de manter seus homens coesos no meio de uma situação absolutamente desesperadora. Submetido à tortura frequente, ele não apenas se manteve absolutamente calado, mas conseguiu através de seu exemplo manter outros prisioneiros unidos.
Recentemente, uma história de Jim Stockdale foi publicada em um livro sobre empreendimentos, com o nome paradoxo de Stockdale. Trata-se do seguinte: para sobreviver a condições extremas, é preciso não ser otimista. Segundo Stockdale, não se pode permitir que o otimismo cego nos deprive da capacidade de entender quando uma situação é absolutamente desesperadora. Ele conta que, entre os seus colegas de campo de concentração, os otimistas foram os que morreram; quando esperavam o socorro para o Natal, depois para a Páscoa, depois para o Natal de novo... até que se cansaram, desencantando de viver.
O pensamento de Stockdale é realmente paradoxal. Lendo seus argumentos, nas suas próprias palavras, permite entender melhor o que ele quis dizer. Não é coincidência que ele tenha tido uma carreira acadêmica brilhante, e que depois de aposentado da marinha tenha se dedicado ao estudo de filosofia. Sua própria lição ilustra bem o conceito de estoicismo, tanto quanto outros grandes líderes, como Ghandi ou Martin Luther King. Líderes que souberam se impor pelo seu exemplo, sem autoritarismo, e sem sequer uma autoridade delegada.
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18 de setembro de 2005
Simplicidade matemática
Um comentário interessante sobre a simplicidade na matemática, ou trigonometria sem senos ou cosenos: "Unfortunately, mathematics lectures at Cambridge left me with the permanent belief that mathematicians' ideas of what is simple and what is complex merely illustrate the fact that physics and engineering use math, but they use a useful subset (which changes with time) and do not necessarily buy into ideas which mathematicians regard as self-evident.".
Também tive esta experiência com alguma frequência, especialmente nos poucos meses em que estudei na Faculdade de Física da UFMG. E é verdade; os físicos mais graduados da escola demonstravam uma impaciência enorme com qualquer um que não se mostrasse capaz de entender imediatamente a simplicidade evidente de alguns conceitos. Por que será? Simples consequência de estarem tão imersos neste conhecimento a ponto de terem-no como óbvio, ou apenas a mostra de que a mente das pessoas é estruturada de forma totalmente diferente? Acredito na segunda explicação; físicos teóricos e matemáticos tem uma visão especial, uma compreensão da matemática pura que a maioria das pessoas não compartilha. Infelizmente, estas mesmas pessoas tem suas limitações, e são frequentemente incapazes de se comunicar com clareza com outras pessoas. Resultado? Professores impacientes, alunos relapsos. Perdemos todos.
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30 de julho de 2005
Com quantos planetas se faz um sistema solar
Se você é do tempo que a resposta eram "nove", fique alerta! Durante a última semana, mais dois objetos foram descobertos nos limites do sistema solar: o 2003EL61 e o 2003UB313. Obviamente, estes nomes são provisórios, e seguem um critério científico complicado. Aliás, dar nomes para objetos astronômicos é complicado. E curiosamente, com estas descobertas, também ficou mais difícil definir o que é um planeta. Estas descobertas só estão sendo possíveis graças aos avanços recentes da tecnologia de câmaras digitas (CCDs), que são altamente sensíveis. De acordo com os astrônomos, mais descobertas como estas podem ser esperadas. Finalmente, estamos conhecendo nossa vizinhança estelar um pouco melhor...
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Quanto vale um cliente VoIP?
De acordo com Robert Cringely, cerca de US$ 150, que é mais ou menos quanto cada cliente vale de acordo com a oferta de aquisição do Skype pela News Corporation, de Rupert Murdoch. Cringely fez esta conta em um comentário sobre a possível aquisição da Skype por Murdoch. Em resumo, a oferta de compra traduz alguns fatores importantes:
- Valida o mercado de VoIP -- se Murdoch quer comprar, deve valer alguma coisa;
- Dá uma baliza de preço. No setor de telecomunicações, números como a receita média por assinante e o preço por assinante são amplamente conhecidos e discutidos; o número mágico de 150 dólares por assinante serve como marco para o mercado de VoIP, e estabelece um parâmetro para avaliação de empresas concorrentes como a Vonage e outras.
Independente de qualquer outro fator tecnológico, o fato é que a tecnologia de VoIP está amadurecendo a passos largos. Em um determinado momento, haverá massa crítica suficiente para fazer com o que o modelo de negócios de telefonia existente desmorone para dar lugar a outro. Até lá, muita coisa ainda vai acontecer. Historicamente, estas transições são sempre dolorosas, e passam por momentos de incerteza política. Porém, não há como defender os incumbentes da obsolescência econômica; nestes casos, a mão invisível do mercado age de forma implacável.
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