4 de agosto de 2007

Ninguém lembra da infraestrutura

Primeiro foi o apagão. Depois, as estradas. Agora, o caos aéreo. Nos últimos anos, a gente se acostumou no Brasil ao noticiário de crise após crise. Tudo por falta de cuidado com a infraestrutura. O governo nunca sabe bem porque. A gente (que paga impostos) também paga a conta.

Essa semana, ruiu uma ponte nos EUA. Fatalidade? Não, o problema é pior. A infraestrutura dos EUA está esfarelando. O país mais rico do mundo tem problemas por todo lado: estradas ruins, aeroportos com a capacidade estourada, falta de água potável, estouro na geração e distribuição de energia elétrica.

O que é que há de errado? No Brasil dá para dizer que falta dinheiro. Mas o que justifica que o mesmo problema esteja ocorrendo - mais lentamente, mas em escala muito maior - no país mais rico do mundo?

Acho que o problema se explica justamente no nome. Infra. É o que está por baixo, o que ninguém vê. A gente só percebe o quanto precisa dela quando falha. É mais ou menos como se estourar, comendo carne vermelha e gordura saturada a vida inteira, e se surpreender quando o coração avisa que não dá mais. O que ninguém vê vai ficando em segundo plano.

No caso da saúde, com todas as dificuldades, o problema se resolve com a conscientização individual. Afinal, a saúde é sua, o problema é seu, você resolve. E mesmo assim pouca gente se mexe. Mas como resolver o problema coletivo? Como convencer as pessoas que o problema também é de cada uma delas? Essa é uma pergunta que na minha opinião, está longe de ser respondida.

2 comentários:

Edu@rdo Rabboni disse...

Carlos, não sei é porque sou engenheiro ou se porque trabalhei muito tempo em planejamento (voltei a atuar com planejamento...) mas sempre penso de forma sequencial, quando penso em projeto, e a infra-estrutura não suportar ou ruir, tecnicamente só tem um nome, erro de projeto! Tirando o lado técnico da discussão, sobre um menos nobre que é o da aparência. O que dá mais ibope, investir em vários metros cúbicos de concreto para enterrar sob a terra, ou fazer um shopping center luxuoso? Esse pensamento em uma loja comercial pode trazer alguns problemas, por outro lado se for aplicado em uma reforma de aeroporto...

Carlos Ribeiro disse...

Edu, concordo com você - se não se leva a infra-estrutura a sério, não tem projeto de engenharia que resista. Mas a grande questão é que infelizmente, nem todo mundo pensa assim. Para muita gente, os investimentos em infra soam como injustificáveis. Não sei se é um problema educativo, falta de conhecimento, ou falta de visão geral, mas é um fato. E pelo visto, o fenômeno não é exclusivo do Brasil, ocorre mesmo nos países mais ricos do mundo. Por isso, coloco novamente a pergunta: como fazer para que a coletividade se envolva nessa questão?

Na minha opinião, é necessário estabelecer uma ligação mais palpável, mais visível, entre as açoes individuais e o seu resultado global. Para mim, para você, ou para outra pessoa com uma visão mais ampla isso é automático. Como fazer o mesmo pela maioria das pessoas, que nao consegue enxergar as consequências, ou pior ainda - está tão ocupada com problemas mais imediatos (como sua própria sobrevivência) que não vê um bom motivo para pensar em consequências?