Robert Scoble é um blogueiro bastante conhecido, e também um "chato de plantão", bem intencionado mas mesmo assim... chato. Espaçoso e entusiasmado. Mas volta e meia o lado "bem intencionado" vence e ele aparece com um artigo realmente interessante.
A discussão de hoje é sobre o bloqueio de acesso do FriendConnect pelo Facebook. Nenhum dos dois serviços é popular no Brasil ainda, por isso o bloqueio em si nem é tão relevante, mas a discussão toca em um ponto crucial.
O Facebook é hoje a rede social mais valorizada do mercado. Em outubro de 2007, a empresa foi avaliada em 15 bilhões de dólares. Com a crise esse valor deve ter se reduzido, mas mesmo assim, é a "bola da vez". Há quem aposte que empresas como o Facebook - que operam uma rede social fechada - vão derrubar o Google. O Facebook tem muito mais controle sobre as informações armazenadas dentro de seus sistemas, e por isso pode transformar essas informações em dinheiro com maior eficiência e facilidade. Isso é conseguido ao custo de uma filosofia de "walled garden": uma aplicação fechada que pode ser acessada mas não abre os dados para consulta via Internet.
O contra-ataque do Google não veio via Orkut, como muitos imaginavam, mas com o FriendConnect. Ainda é uma ferramenta fechada, em "preview", mas que promete acabar com a premissa fundamental do Facebook. O FriendConnect permite que você crie redes sociais usando qualquer site da Internet. Basta incluir um pedacinho de código escrito pelo Google, e seu site pode apresentar a sua lista de amigos, para deixar recados, etc., dentro de usa própria página.
A reação do Facebook foi imediata. Fecharam o sistema para impedir o FriendConnect de ligar a rede de amigos do Facebook com a rede do Google.
Mesmo com tanta coisa em jogo (que tal 15 bilhões de dólares), o processo é de uma estupidez fenomenal. O Facebook comete o erro básico de acreditar que os dados que estão no seu sistema lhe pertencem, e que por isso pode fazer com eles o que bem entender. Indo mais fundo, o Facebook comete o erro de pensar de forma monolítica: os dados, a aplicação, a rede social - tudo junto.
As empresas de rede social precisam entender seu papel no processo. Elas são meramente fornecedoras de ferramentas. Os dados que formam as redes sociais residem pertencem aos usuários, e que eles vão usar o sistema que lhes ofereça maior conveniência e liberdade. É impossível prender os usuários em um sistema, dada a própria natureza da Internet.
Se o Facebook entender o processo, vai abrir mão desse controle rigoroso sobre o acesso. Em um primeiro momento o impacto pode até ser negativo. Mas o impacto no futuro será positivo, porque o real valor de qualquer rede está na sua capacidade de conexão (a famosa "Lei de Metcalfe"). Se o Facebook se concentrar em ser a melhor plataforma para que as pessoas se conectem e colaborem, eles só tem a ganhar. Mas se pensarem que serão os únicos, estarão fadados ao fracasso. E outras empresas - como o Google, que entende a Internet como ninguém - serão as vencedoras.
16 de Maio de 2008
Facebook x Google, ou porque as redes sociais devem ser abertas
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7 de Maio de 2008
O IP morreu, longa vida ao IP!
Assim como o rei da fábula, o IPv4 um dia vai "morrer" para ser substituído por outro IP. O herdeiro da Internet é o IPv6, protocolo que já conta com 14 anos de vida, mas ainda é muito pouco utilizado. É como se o rei já estivesse idoso, e até um pouco doente, mas se recusasse a passar o trono para o príncipe. Mas o fato é que o IPv4 tem limites. Os endereços disponíveis eventualmente vão se esgotar em breve - no começo de 2011, segundo previsões recentes. E aí a Internet vai parar de crescer. Será?
Se pensarmos na Internet como ela é hoje, a migração para IPv6 é inevitável. Mas a Internet evoluiu muito desde o anúncio do IPv6 em 1994. Os circuitos operam em dezenas de Gigabits por segundo. A capacidade de processamento dos roteadores aumentou imensamente. Com isso, funcionalidades que antes eram inimagináveis hoje são possíveis. E essa pode ser a salvação da Internet, e também o fim da rede como a conhecemos hoje.
Nos últimos quinze anos, a Internet se transformou de uma rede "orientada a pacotes" em uma rede "orientada a conteúdo". Detalhes como endereços IP são cada vez mais distantes do usuário comum. Em seu lugar, outro identificador ganhou importância: as URLs, também conhecidas como "endereços da Web". Hoje, cada URL é traduzida para um endereço IP específico. Isso ainda é necessário porque os roteadores trabalham com IPv4 e precisam de endereços únicos para encontrar o destinatário.
Na nova Internet, as URLs vão ganhar mais importância. Cada documento pode ser identificado por uma URL única, sem restrição de numeração. E nada impede que os roteadores processem as URLs diretamente, tratando o conteúdo ao invés dos endereços IP. Os elementos para construir essa nova rede já existem. São "proxies", aceleradores de conteúdo, e outros tipos de elemento que tratam os objetos da Web diretamente. Um exemplo está nas "redes de distribuição de conteúdo", como o Akamai. A arquitetura interna do Google trabalha fortemente com o conceito de replicação de objetos. E as ferramentas de compartilhamento de arquivos "peer to peer" foram concebidas para operar exatamente dessa forma.
Uma consequência dessa evolução é que o protocolo da rede passa a ser irrelevante. Hoje a Internet ainda depende de um endereçamento global consistente. Mas em uma rede de conteúdo, nada impede que uma parte da rede seja IPv4 e outra seja IPv6. Nada impede que várias redes IPv4, com endereços duplicados, se comuniquem entre si através de um "gateway de conteúdo". O que interessa é a URL, que identifica o conteúdo desejado, seja única.
A proposta pode parecer descabida, mas acredito que ela se aproxima mais da dinâmica do mercado do que uma eventual migração em massa para o IPv6 jamais seria. Aliás, diga-se de passagem, muita gente vai migrar para o IPv6. E assim como o bug do milênio, muita gente vai ficar sem entender depois se todo o barulho (e todo investimento) foi justificado. Enquanto isso, alheio a tudo isso, novas aplicações Web vão continuar a crescer, criando uma nova "Internet de camada 7". É uma boa aposta, que vale a pena pagar para ver.
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5 de Maio de 2008
992 dias para a Internet acabar
Tenho evitado postar sobre assuntos muito técnicos nesse blog. O objetivo é trazer assuntos para discussão mais ampla. Porém, apesar de técnico, o tema de hoje com certeza vai despertar o interesse de todos.
A Internet como a conhecemos hoje usa um protocolo chamado IPv4, que permite no máximo algo em torno de 4 bilhões de endereços. Restrições práticas reduzem esse número para algo entre 3 bilhões e 3 bilhões e meio de endereços. Muita coisa, porém, mesmo assim, limitado. Cada usuário online precisa ter seu próprio IP para participar da rede. Com o crescimento da Internet, especialmente em países populosos como Brasil, China e Índia, o espaço de endereçamento está acabando. A projeção de hoje (5 de maio de 2008) é que os endereços IP disponíveis acabarão em 992 dias.
Não é a primeira vez que isso acontece. Nos idos de 1994, o "fim da Internet" foi anunciado e temido por muitos. Várias soluções foram criadas, incluindo as reservas de endereços privativos para uso empresarial e a tecnologia de tradução de endereços (NAT). O controle sobre a alocação de IPs também foi reforçado, delegando blocos menores para cada provedor, e sempre de acordo com a necessidade real de uso. Mas essas medidas não resolvem o problema, apenas adiam o inevitável.
Qual seria a melhor solução então? Já naquela época, foram propostas soluções para aumentar a quantidade de endereços disponíveis na Internet. A proposta vencedora é o que chamamos hoje de IPv6. A quantidade de endereços é absurdamente grande. Porém, o IPv6 também é muito diferente do IPv4. Os dois podem operar conjuntamente, mas mesmo assim, a transição de um para o outro não é fácil. Isso explica porque depois de tanto tempo ainda existe tanta resistência em adotar o novo protocolo. Aa situação atual tem tudo para se transformar em um novo "bug do ano 2000", só que dessa vez, muito mais sério. Praticamente toda infraestrutura da Internet tem que ser modificada para usar IPv6. São "muitos bilhões" de dólares em equipamentos, roteadores, ajustes em PCs, engenharia de rede, etc.
Se o problema é tão sério, porque ninguém se mexe? Primeiro, porque fica todo mundo esperando quem vai se mexer primeiro. Afinal, ninguém tem muita experiência com IPv6 e ninguém quer ser cobaia. Segundo, porque acho que todo mundo ainda espera outra solução como a de 1994. Novas tecnologias e mecanismos de controle que dêem uma sobrevida ao IPv4. Eu pessoalmente acho que o caminho será por aí. Afinal, migrar de protocolo vai ser praticamente como recriar a Internet, a um preço simplesmente incalculável. Mas isso é assunto para o próximo post.
p.s. A bem da verdade, o IPv6 se propunha a resolver outros problemas do IpV4, mas de longe o mais importante é o espaço de endereçamento.
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29 de Abril de 2008
Apple, Jobs e a computação à moda antiga
Semana passada, a Apple anunciou a compra de uma empresa de semicondutores. Dizem que é pelo "valor da propriedade intelectual". Mas eu aposto que a razão é outra.
A Apple vem colecionando notícias boas já faz tempo. A retomada começou com o iMac, mas disparou com o iPod, depois o iTunes, e atingiu níveis inimagináveis com o iPhone. O MacAir é outro sonho de consumo. A empresa acaba de bater o seu recorde de market share, teve números fantásticos no último quarter, e é a quarta marca mais valiosa do planeta segundo outra pesquisa.
O que a Apple tem de diferente de outras empresas? A resposta óbvia é Steve Jobs. Então, vamos perguntar de novo: o que o Steve Jobs tem de diferente de outros CEOs?
Ele é visionário e muito carismático. Também é controlador e perfeccionista, o que pode ser bom ou ruim. Mas existe uma outra diferença.
Steve Jobs é um sobrevivente da era primitiva da computação pessoal. Ele veio de um tempo em que hobbistas construiam micros em casa, comprando placas e projetos pelo correio. Eram pessoas que realmente se importavam com o que faziam. As implicações disso são evidentes na paixão com que a Apple projeta e anuncia seus produtos, como se cada detalhe importasse (e importa!).
Naquela época, a construção dos PCs dependia de conhecimento de eletrônica. O sócio fundador de Jobs na Apple, Steve Wozniak, era um engenheiro fenomenal, capaz de conceber soluções de baixo custo para funcionalidades avançadas para a época. E ao longo desse processo de "reconstrução" da Apple, desde o retorno do Jobs à empresa, o papel da eletrônica volta a ser fundamental. Praticamente todos os lançamentos da Apple integram soluções eletrônicas que se não totalmente exclusivas, são inovadoras e eficazes. O iMac, o iPod, o iPhone, e o MacAir são máquinas projetadas com circuitos exclusivos. São essas soluções que permitem à Apple ser melhor do que seus concorrentes.
Em uma era onde as grandes empresas compram seus chips dos mesmos fornecedores para ganhar escala e cortar custos, ninguém se diferencia. Todos os grandes fabricantes - HP, Dell, Lenovo, Acer - utilizam mais ou menos os mesmos componentes. No fim das contas são todos iguais. Menos a Apple. A verticalização estratégica e pontual, aplicada aos elementos críticos de um projeto, dá uma vantagem competitiva à Apple que nenhum outro fabricante tem. E isso é algo que somente alguém como o Steve Jobs - que viveu a era criativa da computação pessoal nos anos 70 - poderia resgatar.
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26 de Abril de 2008
YouNet (ou quem é você na rede)
Quem é você na rede?
Uma das grandes sacadas do YouTube foi o nome. YouTube - você na tela. Sua tela. Na Internet, você decide o que quer ver. E o que quer mostrar.
Existe uma sobreposição cada vez maior entre a personalidade real e a personalidade online. Ainda é curioso como as pessoas tratam a personalidade online como algo ocasional, descompromissado. Isso é compreensível, devido à imaturidade e aos poucos recursos oferecidos pela primeira geração de redes sociais. Mas o ambiente está se tornando mais rico. À medida que mais e mais pessoas migram partes importantes da sua vida para o ambiente online, o investimento vai aumentando, e torna-se cada vez mais difícil "suicidar" seu alter-ego virtual.
Deletar uma página no Orkut ainda é fácil. Afinal, em muitos casos nem é você que está lá. Mas serviços novos, como o Twitter e especialmente o FriendFeed, tornam isso cada vez mais difícil. Eles se integram na sua rotina, e passam a fazer parte do que você é.
Acredito que a maioria das pessoas ainda vai demorar para perceber o que está acontecendo. Uma boa reputação online demora para ser construída. O personagem virtual não pode ser um simples disfarce para projetar desejos secretos. Ele precisa ser você.
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13 de Janeiro de 2008
O conflito na gestão de profissionais de TI
Gerir profissionais de TI é complicado. Não é um problema brasileiro, ou uma simples questão de capacidade gerencial. O problema é mundial, e autores brilhantes dedicam boa parte de sua produção para explicar alguns aspectos do problema:
- Porque é tão complicado contratar pessoas com o perfil adequado?
- Porque a rotatividade é tão alta?
- Porque a questão salarial é tão difícil de gerir?
São fatos reais, que podem ser tratados pontualmente, mas que não são suficientes para explicar ou resolver o problema. Existe por trás disso tudo uma completa falta de identificação, um conflito entre a liderança gerencial e a equipe técnica. Para simplificar, vamos chamá-los de "gerentes" e "técnicos".
Os "gerentes" representam o emprego tradicional, e geralmente vem de setores como administração, finanças, ou até mesmo a engenharia tradicional. Seguem um código profissional com valores bem estabelecidos, onde as pessoas trabalham em função do negócio da empresa; é o que se espera delas. Os processos são fundamentais. Os horários devem ser cumpridos sem atrasos e as normas, respeitadas. O salário é a remuneração justa pela dedicação profissional. Espera-se em troca que o funcionário respeite o que a empresa faz por ele ao lhe dar um emprego formal. Esse código profissional é indiscutível, pois vem mostrando bons resultados há décadas, em vários setores.
Os "técnicos" cuidam de tarefas altamente especializadas, e dedicam boa parte de seu tempo para o desenvolvimento profissional contínuo. São focados em resolução de problemas e talvez por isso, não se atém a normas e processos. Passam boa parte do tempo imersos em problemas pontuais e projetos específicos. Isso cria uma desconexão crescente com a empresa. Os técnicos passam a acreditar que o trabalho que eles desenvolvem é mais importante do que o trabalho da empresa. Discordam das decisões da empresa, especialmente nas questões que envolvem processos ou análise financeira. Não entendem que não se podem usar somente os critérios técnicos para tomar decisões estratégicas.
Nas grandes empresa, o conflito é minimizado; os salários são mais altos, e o fato de trabalhar em uma empresa reconhecida parece massagear o ego do técnico de uma forma bem eficaz. Mas em empresas pequenas, mesmo com salários compatíveis para o setor, surge um ciclo vicioso de desconfiança. Os técnicos desenvolvem uma desconexão entre a auto-imagem profissional e a percepção da empresa, e se tornam desconfiados e distantes. A desconfiança é mútua - a empresa passa a desconfiar de todos os técnicos, como se eles nunca pudessem se dedicar à empresa da mesma forma que os funcionários "tradicionais" se dedicam. E o ciclo se perpetua.
Como quebrar esse ciclo vicioso? Uma possibilidade é recrutar técnicos que se integrem melhor à empresa; que "vistam a camisa"; que respeitem normas e processos; que compreendam a importância da hierarquia e do clima interno. Isso exige um processo de seleção rigoroso, buscando técnicos com a maturidade necessária, além de um grande investimento no desenvolvimento da equipe existente. É uma atitude necessária, mas que até agora tem dado poucos frutos, especialmente devido à carência de pessoal - os melhores candidatos certamente já estão muito bem empregados.
Outra possibilidade passa pelo reconhecimento de que os técnicos são diferentes dos funcionários tradicionais. Suas motivações e valores são diferentes. O desafio é administrar, dentro de uma única estrutura, pessoas com perfil tão diferenciado, sem colocar em cheque os processos da gestão tradicional, que são necessários para a saúde da empresa. Mais do que isso, significa que a gerência tem que admitir exceções, algo raramente aceito em de um mundo de normas e procedimentos. É um desafio e tanto.
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11 de Dezembro de 2007
O paradoxo da memória da Internet
Meu último post, feito já faz alguns dias, foi sobre o tempo. A memória da Internet às vezes me assusta. É possível que daqui a alguns anos, eu venha a me deparar com as coisas que eu escrevo hoje. O que eu vou achar delas no futuro? Será que vão fazer sentido? Será que os artigos que hoje me parecem inofensivos vão ter algum impacto daqui a algum tempo? Será que eles vão me abrir as portas para um novo emprego, ou vão ser o oposto - o motivo para que eu não seja contratado por uma empresa, por conta de uma opinião que foi expressada vários anos antes?
Paradoxalmente, o contrário também é verdade. Não existe uma política de memória consistente na Web. Algumas coisas serão preservadas, outras serão apagadas sem aviso prévio. Recentemente, a morte de um blogger influente (Marc Orchant, que escrevia para a ZDNet e mais recentemente para a BlogNation) levantou essa questão. O David Winer (um dos principais "fundadores" da Web 2.0, criador do RSS e do XML-RPC, entre outros) comenta sobre isso: precisamos de arquivos à prova de futuro, para que as obras de nossa época não desapareçam quando as pessoas que cuidam delas hoje deixarem de fazê-lo.
Essa aparente "falta de critério" é consequência do próprio desenho da Internet. A rede não tem donos, e não tem política única. É um mercado aberto. Ninguém se preocupa se a informação que está na Internet vai ser preservada para o futuro ou não. E da mesma forma, ninguém se preocupa se alguma informação pode inadvertidamente vazar e ficar permanentemente na memória... quando isso seria indesejável.
Esse é o paradoxo da memória da Internet. Eterna, mas também relapsa.
E você? Gostaria de ser lembrado na Internet, ou gostaria que a rede esquecesse de você um pouco?
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