1 de junho de 2005

Sozinho em uma multidão

Hoje estive em São Paulo a trabalho. Parece estranho para mim, mas fiquei três anos sem ir a SP para nada. A última vez (que eu me lembre) foi para a Telexpo de 2002. Hoje, voltei ao roteiro familiar, indo ao escritório da Cisco, próximo à Marginal Pinheiros. Curiosamente, achei que as coisas estavam mais ou menos do mesmo jeito, apesar do crescimento contínuo da cidade. Mas o que me assustou mesmo foi o Aeroporto de Congonhas.

A obra de reforma do Aeroporto de Congonhas é, sem dúvida, um desafio monumental: atualizar um aeroporto encravado dentro de uma cidade com o metro quadrado mais caro do Brasil não é fácil. Para quem ficou três anos sem ir lá, as dimensões da obra assustam, por que fica uma impressão curiosa: como é que o aeroporto dava conta do volume de vôos antes, com muito menos estrutura? A resposta é simples, ele não dava conta, e a reforma era inevitável. Porém, eu acredito que com a reforma, o local parece ter perdido alguma coisa.

Se você perguntar para qualquer 'frequent flyer' o que ele achava do Aeroporto de Congonhas três anos atrás, imagino que a opinião seja unânime: uma loucura, subdimensionado, engarrafado, com salas de espera apertadas, etc. O que se vê agora é um aeroporto mais moderno, com grandes salas de espera, e túneis mais modernos de acesso às aeronaves. O curioso é que o local continua uma loucura, mas pior; o local se tornou mais impessoal, mais asséptico, quase surreal.

As antigas salas de espera de Congonhas eram apertadas, e tinham pouco espaço para sentar. Porém, por serem várias salas divididas, ficava uma sensação um pouco mais humana. Hoje, em uma sala imensa, misturam-se vôos, companhias e destinos em uma massa única de gente, que atordoa.

Por quê estou escrevendo sobre tudo isso? Acho que esta sensação revela um pouco mais sobre o desconforto humano diante de obras faraônicas, de locais que excedem a nossa capacidade de se sentir à vontade. Talvez como um sonho de projeto esta sensação não seja perceptível, mas na prática, acho que esta sensação é mais comum do que os arquitetos e engenheiros gostariam de admitir. Alguns lugares são frios e desumanos, e quanto maiores, piores ficam. Outros são naturalmente aconchegantes e confortáveis, e talvez neste caso o tamanho não faça a menor diferença. Não sei. Mas ficou para mim a sensação de que o Aeroporto de Congonhas se tornou um lugar absolutamente frio, um lugar para se ficar o menor tempo possível, e onde o tempo de espera parece eterno.

2 comentários:

Eduardo disse...

É cara experimentou o que muitas pessoas de fora sentem na "terrinha". E eu que já me deleitava com a acolhida de Uberlândia, vejo-me agora apaixonado por Uberaba. Lugar onde as pessoas te ouvem, quando te perguntam como foi seu dia, estão realmente interessadas em saber se foi bom ou não, e caso não tenha sido dos melhores, sempre se mostram dispostas a comentar alguma amenidade ou dispostas a ajudar de alguma forma....e São Paulo vai seguindo assim...com lugares frios como você bem disse e com pessoas que apesar de não gostarem, infelizmente vão se acostumando....(palavras de um paulistano que gosta muito de lá...)

Jorge disse...

Bom, e o que dizer depois dessa ENORME TRAGÉDIA anunciada há meses!!?????...são quase ou mais de 200 vítimas, fora as que ficaram órfãs e que jamais conseguirão viver uma vida normal daqui pra frente. Uma tristeza que é o resultado da ganância, ignorância, negligência e irresponsabilidade de muitos que, infelizmente ditam regras.