27 de julho de 2004

Redes de relacionamento, tópicos, e confiança

Estou apenas começando a pesquisar os sistemas de redes de relacionamento disponíveis na Internet. Até agora, já vi artigos favoráveis, que indicam que esta é a 'próxima grande onda'; outros, indicando que as ferramentas ainda estão muito longe de cumprirem o que prometem, e que o problema ainda não foi corretamente entendido.

Uma coisa que fica clara para mim é que não se pode mapear a complexidade dos relacionamentos humanos em um modelo plano. Exemplos de mapeamentos fadados ao insucesso são aqueles que pedem que as pessoas sejam classificadas em grupos simples. Porém, mesmo sistemas mais sofisticados sofrem com problemas parecidos, seja porque se tornam desnecessariamente complicados (e aí as pessoas não conseguem, ou não tem paciência, para utilizá-los); ou seja porque o mapeamento não reflete os mecanismos sociais reais.

O primeiro problema é agravado, principalmente pela tendência das pessoas com maior orientação técnica em querer classificar tudo, usando para isso uma estrutura lógica de relacionamento. Outra manifestação do mesmo problema é a idéia de definir (morta por natureza) de definir precisamente o significado de termos como 'amizade', 'amizade próxima', e 'melhor amigo'.

Os mecanismos sociais reais também são imensamente complexos. Para começar, eles não refletem valores absolutos; nosso grau de relacionamento, ou confiança, em outra pessoa é sempre relativo. Neste sentido, não existe uma métrica simples de confiança que possa ser atribuída a uma pessoa. O ponto de vista individual pode ser afetado pela percepção que os outros tem de alguém, mas de forma geral, ele será afetado mais fortemente por algumas pessoas do que por outras. Por exemplo, eu posso eventualmente simpatizar com alguém a princípio simplesmente porque alguém que eu não gosto desconfia dele (ou, "o inimigo do meu inimigo é meu amigo"). A consequência primária disso é que métricas simples, como 'confiança', devem ser sempre calculadas para pontos de vista particulares; a generalização é sempre muito perigosa.

As pessoas podem pertencer a múltiplos grupos simultaneamente, mas com graus diferentes de participação. Dentro de um grupo, formam-se subgrupos de pessoas mais próximas entre si, e assim por diante. Esta dinâmica precisa estar presente, e não pode ser simplesmente mapeada na forma de 'grupos de interesse' ou 'guildas' onde assume-se que todos os membros confiam igualmente uns nos outros.

Minha proposta, neste ponto, vai no sentido de permitir que cada pessoa monte uma rede de relacionamento mais flexível, que permita que ele defina conceitos como 'amizade' em termos dos grupos sociais a que pertence. Por exemplo, meu melhor amigo no meu círculo profissional não é obrigatoriamente o meu melhor amigo no meu círculo pessoal. Coisas como religião, política ou torcer para um determinado time podem afastar da nossa amizade (de forma relativa) pessoas que de outra forma são excelentes amigos. Assim, não basta classificar as pessoas em grupos. Minha proposta é identificar assuntos de interesse, e classificar dentro destes assuntos os amigos que dele participam. O sistema poderia correr estas listas de relacionamento separadas por assunto, compondo uma malha de confiança, ou amizade, mais refinada.

Não sei se algum dos sistemas existentes opera desta forma. Esta proposta surgiu de leituras que fiz nos últimos dias, sem que tenha tido oportunidade de fazer um teste direto das aplicações disponíveis. Ainda preciso pensar melhor no assunto, validando alguns pontos, para ver se é o tipo de coisa que vai surtir efeito.

3 comentários:

fgsouza disse...

Legal sua idéia. Realmente o melhor amigo no trabalho pode não o ser fora dele.
Do jeito que essas redes estão sendo montadas não sei onde vão parar, a melhor comparação que vi é que são um album de figurinhas virtual, cada figurinha uma pessoa ou grupo. Quanto mais melhor, sem muito qualidade, critério ou contéudo. Vamos ver onde vai parar....

Carlos Ribeiro disse...

Gostei da analogia com um "álbum de figurinhas virtual". EU mesmo entrei no Orkut, mexi um pouco, mas não sei se foi conincidência, estava lento pra caramba. Ainda não retornei esta semana, devo visitar pra configurar melhor alguns detalhes e adicionar alguns contatos.

Você (ou outro amigo próximo) tem experiência com outras aplicações do tipo? Além do Orkut, quero dizer? Queria escrever um artigo sobre isso, e queria poder perguntar para outras pessoas sobre a experiência delas.

Anônimo disse...

Ainda não percebi bem a mecânica das "Redes de relacionamento, tópicos, e confiança", mas não há dúvida que o título é sugestivo e parece credível...
Vou começar a explorar melhor o sítio para depois tecer algumas considerações certamente mais válidas..

Orkidea