11 de agosto de 2004

Web Applications, promise or hype?

Web Applications, promise or hype?

Depois de um dia inteiro (literalmente) apanhando das mil e uma incompatibilidades e ajustes proprietários necessários para fazer uma página simples em DHTML funcionar corretamente em dois browsers (Firefox e IE6), nada como ler um pouco de bom senso.

Acho que as Web Applications são uma grande promessa... especialmente porque elas já existem. E, pensando de forma pragmática, qualquer coisa que se pretenda mexer nesse momento só vai servir para confundir as coisas, justamente quando um mínimo de usabilidade começa a se desenhar. Entendo que o modelo de programação vigente - DOM + Javascript + CSS - é complicado e cheio de buracos, mas também não consigo imaginar uma abordagem melhor que não rompa totalmente a compatibilidade com tudo que existe hoje.

O tempo que vai ser gasto na discussão desnecessária poderia ser melhor investido em duas frentes:

1. Fazendo com que os browsers existentes implementassem o que já existe de uma forma consistente. Infelizmente, isso não tem charme nenhum, e não garante vendas adicionais para ninguém.

2. Criando sistemas de template melhores. Minha visão é que boa parte das mágicas que são feitas hoje podem ser convenientemente escondidas por um bom sistema de templates, que cuide de intercalar o código Javascript e CSS necessário automaticamente. Mas isso mexe com uma coisa cara para os autores de páginas; as ferramentas de edição são pessoais, e muitas vezes intocáveis. Vá se entender com eles...

2 comentários:

fgsouza disse...

Existe uma iniciativa fundeada(?) pela Mozilla que pretende justamente fazer isso, que eh estender os padroes existentes de forma consistente e compativel, diferente das proposicoes do W3C. A especificacao é aberta e o grupo se chama WHAT Working Group (Web Hypertext Application Technology)
http://www.whatwg.org/
Depois me diga o que achou!

Carlos Ribeiro disse...

Na verdade, parte do meu incômodo reflete a própria proposta do WHATSG. Há um certo risco no processo em andamento, pois não se sabe se novas features serão implementadas no IE. A situação atual é muito diferente da que existia quando o IE não era o browser dominante. Naquela época, as páginas eram escritas para o Netscape. Assim, a Microsoft teve que implementar os padrões (com bugs e algumas apropriações, é verdade), de forma que um certo grau de compatibilidade se manteve. Agora é o contrário - e não adianta implementar novas propostas se o IE não suportar o padrão. Os usuários comuns não vão trocar de browser só para ver uma página que use os novos recursos - a não ser, é claro, que tenham que fazê-lo obrigatoriamente, ou que a página seja um sucesso estrondoso. Não acho que este seja um cenário interessante.

O que eu imaginei era um trabalho diferente - por exemplo, um "templating system" de código aberto, que gerasse a combinação XHTML+CSS+Javascript adequada para uso de qualquer browser. Hoje, se você quiser implementar um menu, há mil e um exemplos na Web; mas cada um tem suas peculiaridades, e a adaptação é meio complicada, às vezes. O template poderia ser feito de forma mais simples - um "meta-tag" para o menu, que depois seria processado pelo "templating system" para gerar o script e as entradas de CSS adequadas. Todos os "hacks" para interoperabilidade de CSS entre browsers poderiam ser automaticamente gerados, sem necessidade de testes extensivos em vários browsers para procurar pelo "efeito guilhotina", diferenças no "box model", etc - parar ficar só com alguns dos bugs do IE. Ah, e o Mozilla tem seus próprios bugs e inconsistências também - senão ficaria fácil, não é?